Silêncio que Estrangula: Como a Equatorial “Congelou” a Tarifa e Aumentou a Conta do Amapaense em 2025

A Prova nos Números:

Acompanhe a trajetória dos pagamentos de uma única residência, com consumo médio estável (entre 300-350 kWh/mês), ao longo de 2025:

  • Janeiro (01/2025): R$ 385,31

  • Fevereiro (02/2025): R$ 370,56

  • Março (03/2025): R$ 320,51

  • Abril (04/2025): R$ 315,52

  • Maio (05/2025): R$ 332,01

  • Junho (06/2025): R$ 354,77

  • Julho (07/2025): R$ 460,18

  • Agosto (08/2025): R$ 430,23

  • Setembro (09/2025): R$ 491,99

  • Outubro (10/2025): R$ 595,35

  • Novembro (11/2025): R$ 659,34

Análise Perceptível:

  1. Tendência Inexorável de Alta: Apesar de oscilações pontuais (como a leve queda de fevereiro para abril), a curva é ascendente. Comparando o piso (abril: R$ 315,52) com o pico atual (novembro: R$ 659,34), o valor mais que dobrou (+109%) em sete meses. Comparando janeiro com novembro, o aumento é de 71%.

  2. O “Pulo do Gato” a Partir de Julho: Os dados mostram um salto brutal a partir do meio do ano. A conta de julho (R$ 460,18) representa um aumento de quase 30% em relação a junho. De lá para novembro, a escalada foi ininterrupta e acentuada.

  3. O Mito do Congelamento: Esses números tornam insustentável o discurso de que não houve aumento. A tarifa nominal pode estar “congelada”, mas o custo total para o consumidor sofreu um reajuste real, mensal e silencioso.

Possíveis Mecanismos para o Aumento (a Serem Investigados):

A Equatorial pode estar utilizando, de forma combinada ou intensificada, os seguintes instrumentos legais para elevar a conta sem alterar a tarifa base:

  • Bandeiras Tarifárias: Aplicação contínua da bandeira vermelha (patamar 2, a mais cara), justificada por custos extras com termelétricas. No entanto, o Amapá é autossuficiente em hidroeletricidade a maior parte do ano, levantando dúvidas sobre a necessidade permanente desse acréscimo.

  • Reajustes de Encargos e Subitens: A conta de luz é composta por diversos itens (Encargos Setoriais, PIS/COFINS, etc.), que podem ser reajustados pela concessionária ao longo do ano, com avisos em letras miúdas.

  • Revisões Tarifárias Extraordinárias (RTEs): Embora mais complexas, podem ser solicitadas para cobrir custos não previstos.

  • Ajustes na Fatura pelo “Consumo Médio”: Em períodos de falta de medição (leitura estimada), a concessionária pode fazer acertos posteriores que impactam drasticamente a conta seguinte.

Conclusão Reforçada:

A série histórica apresentada é a materialização da denúncia. Ela mostra, em grafia financeira, o esvaziamento do poder de compra da família amapaense. Enquanto a ANEEL e o governo estadual apontam para a manutenção de um índice técnico (R$/kWh), o povo paga, todos os meses, uma fatura cada vez mais inflada.

A pergunta agora se torna mais direta e urgente: Qual mecanismo específico, ou combinação deles, a CEA Equatorial está utilizando para promover esse reajuste escalonado, mês a mês, que resultou em uma conta 109% mais cara em novembro do que era em abril, no mesmo ano de um suposto “congelamento”?

A população, que vive no estado produtor de energia, exige transparência. O “silêncio” já não é mais sobre a tarifa, mas sobre a resposta a essa pergunta.

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