Após três anos de silêncio, atrasos e um rastro de sofrimento deixado na saúde pública, o governo Clécio Luis (Solidariedade) finalmente se move. O Centro de Radioterapia do Amapá, pronto desde o início do ano, foi inaugurado nesta sexta-feira, 05, em um ritual que se repete: a entrega véspera de eleição. A estratégia é clara, herdada e aprimorada da cartilha Waldez Góes: deixar a população à míngua, permitir que o caos se instale e, então, aparecer como salvador da pátria em ano eleitoral, envolvido em um espetáculo midiático bancado com o dinheiro público que deveria ter sido usado para prevenir o sofrimento.
A promessa era janeiro. A realidade foi o descumprimento, a falta de transparência e a necessidade de uma cruzada pública liderada pelo deputado R. Nelson Vieira (PL) – com requerimentos, denúncias e cobranças incansáveis – para que a máquina estatal se mexesse. Pergunta-se: sem a pressão política, a obra, essencial para centenas de pacientes com câncer que precisavam se deslocar para outros estados via Tratamento Fora de Domicílio (TFD), ficaria pronta apenas como promessa de campanha?
Enquanto o Palácio do Setentrião ensaia seu show de entrega, a população amapaense registra na memória os primeiros três anos deste governo: obras paradas, promessas esquecidas e um vácuo de gestão que custou caro em vidas e dignidade. É a política do slogan vazio, que prioriza o timing eleitoral sobre a necessidade pública. O Centro de Radioterapia, localizado na Zona Norte ao lado do Hospital de Amor, é vital e urgente, mas sua inauguração tardia simboliza um método perverso de governar: a administração do sofrimento como trampolim eleitoreiro.
Enquanto isso, em Macapá, o prefeito Dr. Furlan demonstra que outro caminho é possível: obras e entregas distribuídas ao longo de cinco anos de gestão, sem concentrar benefícios em véspera de pleito. É a diferença entre quem trabalha para o cidadão e quem trabalha para as câmeras.
A pergunta que fica, após o brilho das câmeras pagas com recursos públicos se apagar, é: quantas outras obras essenciais estão prontas, esperando na gaveta por uma data conveniente? O povo do Amapá merece um governo que trabalhe desde o primeiro dia, não um espetáculo de entrega tardia. Chega de seguir a cartilha do atraso. O Amapá precisa de gestão, não de encenação.