HU pronto e abandonado: enquanto isso, HE de Clécio vira obra sem fim e drena milhões

HE atrasa, custo explode — e governo Clécio ignora hospital pronto que já salvou o Amapá

Enquanto obra do novo Hospital de Emergência acumula mais de R$ 22 milhões em reajustes, Hospital Universitário segue subutilizado e fora do orçamento federal — escancarando fragilidade da bancada e escolhas políticas questionáveis


 REPORTAGEM 

O caos na saúde pública do Amapá não é apenas resultado de falta de recursos — é consequência direta de decisões políticas que desafiam qualquer lógica administrativa.

De um lado, o novo Hospital de Emergência (HE): uma obra que já nasce marcada por atrasos sucessivos, custos inflados e prazos que simplesmente não se sustentam. Já são mais de R$ 22 milhões em reajustes contratuais, sem que a população tenha qualquer previsão concreta de entrega.

Do outro lado, um escândalo ainda maior — e mais silencioso.

O estado possui, desde 2020, uma estrutura hospitalar completa, pronta e já testada em crise real: o Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal do Amapá.

E o que foi feito com ele?

Praticamente abandonado.


O hospital que provou que funciona — e foi deixado de lado

Durante o auge da pandemia de Covid-19, o HU não foi promessa. Foi solução.

Com cerca de 300 leitos e 60 UTIs, a unidade entrou em operação quando o Amapá enfrentava um dos piores cenários do país — liderando índices de contaminação e mortalidade proporcional.

A virada veio com o funcionamento do hospital.

A estrutura absorveu a demanda reprimida, reorganizou a rede e contribuiu diretamente para reduzir os índices de mortes. O resultado foi concreto: o estado saiu de um dos piores cenários do Brasil para níveis abaixo da média nacional.

Ou seja: o HU já salvou vidas. Já entregou resultado. Já funcionou.

E mesmo assim, foi esvaziado.

Hoje, dos cerca de 300 leitos disponíveis, apenas 10 seguem ativos.


 Equipamentos sumiram, explicações não apareceram

Após o fim da pandemia, o hospital foi desmobilizado sem transparência.

Equipamentos foram retirados — sem clareza sobre destino, uso ou justificativa técnica.

A estrutura, que poderia hoje aliviar a pressão sobre o sistema público, simplesmente foi deixada de lado.

Enquanto isso, pacientes continuam enfrentando filas, falta de leitos e atendimento precário.


 Fora do orçamento e esquecida pela bancada

E aqui entra outro ponto crítico que amplia o problema: o HU sequer está devidamente inserido no orçamento federal para funcionamento pleno.

Ou seja, além da decisão local de não utilizar a estrutura, há uma evidente falha política da bancada federal do Amapá em garantir recursos para manter o hospital ativo.

Na prática, o que se vê é um abandono em duas frentes:

  • Falta de prioridade do governo estadual
  • Falta de força política em Brasília

O resultado? Um hospital pronto, pago com dinheiro público, parado.


 A escolha que ninguém quer explicar

A comparação é inevitável — e constrangedora:

  • Novo HE: obra atrasada, mais cara, sem prazo confiável
  • HU: pronto, testado, equipado e capaz de atender imediatamente

A pergunta que fica é direta e incômoda:

Por que ignorar o que já funciona para insistir no que ainda nem ficou pronto?


 Mais que erro técnico — decisão política

Não se trata de falta de estrutura.
Não se trata de falta de solução.

Trata-se de escolha.

E os efeitos dessa escolha são sentidos todos os dias por quem depende do SUS no Amapá.

Enquanto isso, o governo segue investindo milhões em uma obra incerta, ignorando uma alternativa real, imediata e comprovadamente eficaz.


 Perguntas que continuam sem resposta

  • Quem decidiu esvaziar o Hospital Universitário?
  • Para onde foram os equipamentos retirados?
  • Por que apenas 10 leitos seguem ativos de um total de 300?
  • Por que o HU não está garantido no orçamento federal?
  • E por que a bancada não resolve isso?

 FECHAMENTO 

No Amapá, o problema da saúde não é falta de hospital.

É falta de decisão.

Falta coragem política.

E, principalmente, falta respeito com quem precisa de atendimento — e encontra portas fechadas em um hospital que já deveria estar salvando vidas hoje.

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