Atraso em programas de segurança alimentar frustra entidades e expõe contradições na gestão Clécio

Atraso em programas de segurança alimentar frustra entidades e expõe contradições na gestão Clécio


Promessas de lançamento dos editais do “Amapá Sem Fome” e do Programa de Aquisição de Alimentos não se concretizam; entidades denunciam favorecimento político e temem uso eleitoral em 2026.


Com o fim de 2025 se aproximando, centenas de entidades sociais que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade manifestam crescente frustração com a gestão do governador Clécio Luís. O descontentamento contrasta diretamente com o slogan amplamente repetido pelo governo: “quem tem fome, tem pressa”. Uma das principais promessas da atual administração o lançamento dos editais do Programa Amapá Sem Fome e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) 2025 — não se concretizou.

Ambos os programas são considerados fundamentais para o combate à insegurança alimentar no Estado. O Amapá Sem Fome prevê doações de cestas básicas, vale-gás e kits de primeira infância. Já o PAA compra alimentos da agricultura familiar e os destina a entidades cadastradas, que repassam os produtos aos seus beneficiários.
O atraso não afeta apenas quem depende diretamente das doações: agricultores familiares também acumulam prejuízos, pois haviam organizado suas produções na expectativa de venda ao governo.

Segundo presidentes e diretores de diversas organizações sociais, representantes do governo haviam solicitado que as entidades atualizassem seus documentos, garantindo que os editais seriam lançados durante a ExpoFeira 2025. “Criou-se expectativa, mas nada aconteceu”, lamentou o dirigente de uma organização, que prefere não ser identificado.

A maior preocupação, porém, não é apenas a demora. Entidades afirmam que alguns grupos alinhados politicamente à gestão seguem recebendo doações de forma avulsa, mesmo sem edital aberto  o que gera suspeitas de favorecimento. Representantes relatam temer que os editais só sejam publicados em 2026, ano eleitoral, transformando os programas em ações assistencialistas direcionadas a aliados ou condicionadas a apoio político.

Enquanto isso, populações em situação de insegurança alimentar seguem aguardando por políticas públicas cuja urgência, como diz o próprio slogan do governo, não pode esperar.

Até o fechamento da matéria não conseguimos resposta do governo do estado do Amapá

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