Fome em Plantão: Funcionários de Empresa no Amapá Sobrevivem de Restos de Marmita em Hospitais

 Uma denúncia grave contra a empresa Alfha Comércio e Serviços expõe um cenário de desrespeito generalizado aos direitos trabalhistas no estado do Amapá. Funcionários, muitos atuando em hospitais públicos, relatam condições análogas à fome, roubo de verbas e a completa suspensão de direitos fundamentais.

A situação mais crítica é a da fome durante o trabalho. Com mais de 15 vales-alimentação atrasados, os trabalhadores são obrigados a trabalhar em plantões de 12 horas sem condições de se alimentar. A solução desumana encontrada por muitos é depender da sobra de marmitas dos enfermeiros dos hospitais. Os que não conseguem sequer uma sobra, passam as 12 horas de plantão em jejum forçado.

“Estamos trabalhando com fome. É humilhante ter que pedir comida dos colegas de outros setores. Muitas vezes fico tonto durante o plantão, com medo de passar mal”, relata um funcionário que preferiu não se identificar por medo de represálias.

Direitos Trabalhistas Sistemicamente Violados

A lista de irregularidades vai muito além da fome:

  • Férias : Há funcionários com até três períodos de férias vencidos e não pagos. A empresa, segundo a denúncia, só quitou as férias dos trabalhadores do Hospital de Emergência, deixando o restante da equipe sem este direito. Pior: há a informação interna de que não concederão férias para os funcionários este ano.

  • FGTS : O valor do FGTS é descontado em folha de pagamento, mas não é depositado na Caixa Econômica Federal, configurando um crime contra a Previdência Social e um prejuízo incalculável para a formação do patrimônio do trabalhador.

  • Salários Atrasados: Até a data desta publicação, a empresa não pagou seus funcionários, alegando falta de repasse por parte da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) do Amapá.

Apelo às Autoridades e Questionamento à Administração Pública

Diante da gravidade dos fatos, a denúncia pública faz um apelo urgente:

  • Ao Ministério do Trabalho: Que intervenha imediatamente para fiscalizar a empresa Alfha e garantir o cumprimento da lei. “Estes trabalhadores recebem um salário mínimo e ainda são humilhados desta forma. Eles apenas querem o que é seu por direito.”

  • Ao Governador Clécio Luís e à SESA/AP: É questionado o motivo pelo qual a empresa Alfha continua ganhando licitações para prestar serviços ao estado, uma vez que acumula diversos processos trabalhistas e repete os mesmos crimes. A comunidade exige transparência sobre a relação do poder público com empresas que possuem histórico de violar direitos.

A persistência dessas irregularidades sugere uma cultura de impunidade que coloca em risco a dignidade e a saúde de dezenas de trabalhadores amapaenses.

É preciso que a voz desses trabalhadores chegue às autoridades competentes e que a justiça seja feita. Ninguém deve trabalhar com fome.

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