O Governador que Esqueceu que é Governador

por:  Jean Bambam

Macapá, 16 de Setembro de 2025 – O cenário político do Amapá vive uma inversão de papéis que chama a atenção de moradores e analistas. De um lado, o governador Clécio Luís (Solidariedade) atua diretamente em obras que a execução do serviço e das prefeituras . De outro, o prefeito Dr. Furlan (MDB-AP) avança com frentes de pavimentação e grandes obras  na capital estado e  assume  papel de gestor de obras de maior visibilidade – algo que, em tese, caberia ao governo estadual.

A situação expõe uma lacuna na administração pública: enquanto a capital Macapá recebe intervenções localizadas, obras essenciais para o desenvolvimento econômico e social, o governo  do Amapá não consegue concluir a  BR-156 (que liga Macapá a Oiapoque e ao Laranjal do Jari),

O governador nas ruas, o estado parado

Clécio Luís, que já foi prefeito de Macapá por dois mandatos (2013-2020), em vez de estabelecer parcerias estratégicas com a prefeitura de Macapá para executar serviços de competência municipal, como asfaltamento e construção de passarelas, o governador opta por assumir diretamente essas obras. A atitude gera críticas sobre possível vaidade política e uma estratégia para reduzir o desgaste de sua imagem na capital, ofuscada pelo trabalho do prefeito Furlan.

Enquanto isso, o governo do estado não consegue dar respostas sobre projetos de grande porte, que dependem de articulação federal e investimentos maciços. A BR-156, por exemplo, é uma reivindicação histórica da população e crucial para escoar produção e integrar o estado, mas segue com trechos intransitáveis e sem previsão de conclusão.

Furlan, o “governador” da capital

Do outro lado, o prefeito Antônio Furlan tem ampliado a atuação na infraestrutura urbana com obras de pavimentação e requalificação de espaços públicos. Sua gestão investe em máquinas, cronogramas agressivos e divulgação massiva – estratégia que lembra mais um governo estadual do que municipal.

Furlan, que já foi deputado estadual e tem perfil técnico, aproveita o vácuo deixado pelo estado e se consolida como uma liderança que entrega resultados palpáveis. Seu discurso é focado em “fazer acontecer” – justamente o que parte da população cobra de Clécio.

O prejuízo para o desenvolvimento do Amapá

Para especialistas em administração pública, a inversão de papéis pode ser positiva no curto prazo – afinal, ruas são asfaltadas e obras saem do papel –, mas reflete uma grave distorção na priorização de políticas de estado.

“O governador está perdido , no meio disso, o Amapá perde porque não há um planejamento integrado para obras realmente transformadoras”, avalia a cientista política Ana Beatriz Souza.

A população, por enquanto, comemora as melhorias imediatas, mas cobra avanços em questões estruturais. “É bom ver ruas sendo pavimentadas, mas e o asfalto para chegar ao resto do estado? E o hospital estadual? Estamos precisando de muito mais”, diz a dona de casa Maria Santos, 58, moradora do vale verde

Um estado órfão de grandes lideranças?
O fenômeno também sinaliza uma crise de foco na governança estadual. Clécio, que chegou ao governo com um discurso de inovação e gestão eficiente, parece recorrer a uma estratégia conhecida: o populismo de obras visíveis e de rápido retorno eleitoral. Governo não tem mas tempo de fazer grandes obras esse é o ultimo verão da gestão Clécio luís.

Furlan, por sua vez, capitaliza a ausência do estado e constrói uma imagem de gestor prático e realizador – o que pode abrir caminho para uma futura candidatura ao governo.

Enquanto isso, o Amapá segue à espera de quem assuma, de fato, o papel de governador.

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