Fraude na Saúde: Profissionais Forjam Documentos para Ocultar Ausências e Dobrar Plantões Ilegalmente

MP DESMONTA ESQUEMA DE FALSIFICAÇÃO EM PLANTÕES MÉDICOS NO AMAPÁ
Ministério Público aponta fraude em folhas de ponto, escalas fantasmas e omissão de gestores no HCA e PAI; operação da PF pode ser ampliada

Uma reunião conduzida pelo Ministério Público do Amapá (MP-AP) expôs um grave esquema de irregularidades nos plantões médicos do Hospital da Criança (HCA) e do Pronto Atendimento Infantil (PAI), em Macapá. O encontro, realizado no dia 16 de julho de 2025, contou com a presença dos promotores Wueber Penafort e José Barreto, além do secretário de Saúde Carlos Rinaldo, e revelou fraudes envolvendo falsificação de folhas de ponto, sobreposição de escalas e plantões fantasmas.

De acordo com o documento oficial, os problemas vão além da simples desorganização: há fortes indícios de crimes administrativos e penais, incluindo falsificações cometidas por profissionais de saúde com o objetivo de mascarar ausências e dobrar plantões de forma ilegal. Médicos, enfermeiros e gestores são apontados como responsáveis ou coniventes com o esquema.

O promotor José Barreto destacou que as investigações estão em curso e já há medidas judiciais como bloqueio de bens e sanções contra os envolvidos. Um dos focos da apuração é a existência de escalas montadas artificialmente para justificar pagamentos indevidos, além de interferências políticas nas trocas de plantão.

Durante a reunião, foi cobrada urgência na adoção de medidas como a implantação de ponto eletrônico com reconhecimento facial, controle digital de escalas e criação de regras mais rígidas para a composição de plantões, sobretudo nas áreas críticas como UTI pediátrica. Há ainda proposta para a criação de um teto mensal para plantões, valorizando especialistas conforme a complexidade de cada setor.

Diante dos desdobramentos, fontes ligadas à Polícia Federal não descartam a ampliação das investigações no âmbito da Operação que apura desvios de recursos na saúde pública do estado. A suspeita é de que o esquema seja sistemático e envolva diversas unidades hospitalares do Amapá.

O MP deverá encaminhar o relatório completo às autoridades federais, abrindo caminho para novas diligências e eventuais prisões. A saúde pública do Amapá, mais uma vez, entra na UTI institucional.

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