A recente visita do embaixador do Irã ao Amapá, recebida com destaque pelo governador Clécio Luís no Palácio do Setentrião, tem ganhado novos contornos após declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Em entrevista à Fox News, Netanyahu afirmou que um país ocidental estaria colaborando secretamente com o Irã no fornecimento de urânio, o que reacendeu a atenção internacional para o Brasil.
Embora o premiê israelense não tenha citado nomes, a afirmação bastou para lançar suspeitas sobre países latino-americanos com histórico recente de aproximação com o regime iraniano. Entre os eventos apontados por analistas está a visita diplomática ao Amapá em agosto de 2024, quando o governo estadual celebrou o encontro com o embaixador iraniano como uma tentativa de “fortalecer relações diplomáticas”.
A recepção calorosa ao diplomata iraniano ocorreu em meio à presença das bandeiras do Brasil e do Irã, com foto oficial e discurso voltado para “negócios entre os dois países”. A pauta, no entanto, não foi detalhada publicamente.
Para críticos da política externa brasileira, a visita ao Amapá reforça um movimento preocupante. “O Irã é alvo de sanções internacionais, e qualquer aproximação precisa ser tratada com cautela. Estados brasileiros não podem se tornar peças soltas num jogo geopolítico delicado”, afirma um especialista em relações internacionais ouvido sob anonimato.
A tensão aumentou ainda mais após a lembrança de que, em 2023, o governo federal autorizou a atracação de navios de guerra iranianos no porto do Rio de Janeiro, mesmo com restrições impostas pelos Estados Unidos.