Em meio ao caótico trânsito das cidades colombianas, as busetas — micro-ônibus que cortam bairros e conectam periferias aos centros urbanos — são mais do que um meio de transporte: são um símbolo da mobilidade popular. E por trás desses veículos ágeis e coloridos estão os “buseteros”, motoristas cuja habilidade e conhecimento das ruas os tornam peças fundamentais no dia a dia de milhares de passageiros.
O que é uma buseta?
Diferente dos ônibus convencionais ou do sistema BRT (como o TransMilenio, em Bogotá), as busetas são veículos menores, com capacidade para 20 a 30 passageiros, e operam em rotas fixas ou semiflexíveis. Elas são essenciais em bairros onde os transportes de grande porte não chegam, garantindo acesso a trabalhadores, estudantes e moradores de regiões menos atendidas.
O busetero: muito mais que um motorista
O termo “busetero” vai além da função profissional. É uma identidade cultural. Esses motoristas são conhecidos por sua destreza ao volante, pela rapidez nas entregas e, muitas vezes, por um relacionamento próximo com os passageiros fixos.
— “O busetero sabe quem pega a buseta todo dia, conhece os horários dos trabalhadores e até guarda recados entre vizinhos”, conta María Fernanda López, usuária frequente em Medellín.
Mas a vida do busetero não é fácil. Eles enfrentam longas jornadas, competição com outros veículos e os desafios do trânsito caótico das metrópoles colombianas. Muitos são donos do próprio veículo ou trabalham em cooperativas, dependendo da tarifa paga pelos passageiros para seu sustento.
Um ícone em transformação
Com a modernização do transporte público em cidades como Bogotá e Cali, as busetas e seus motoristas vivem um momento de adaptação. Algumas rotas foram integradas a sistemas oficiais, enquanto outras resistem como alternativa informal.
Apesar das mudanças, as busetas e seus buseteros seguem como um legado vivo do transporte colombiano — um serviço que, mesmo sem o glamour dos sistemas tecnológicos, mantém-se indispensável para quem depende dele no cotidiano.
