Em meio ao pré–campanha eleitoral nos municípios de Porto Grande, Pedra Branca e Serra do Navio, um movimento oportunista tem causado revolta entre os eleitores. Moradores dessas cidades denunciaram que deputados estaduais ligados ao Governo do Amapá frequentemente classificados por lideranças regionais como integrantes do chamado “grupo do atraso” estão tentando ludibriar a população ao se declararem, em público, como apoiadores do pré–candidato Dr. Furlan.
A estratégia, no entanto, tem sido desmascarada pelos próprios cabos eleitorais e lideranças comunitárias. De acordo com relatos colhidos pela reportagem, quando abordados diretamente por moradores com a pergunta direta “você está com o prefeitão?” os parlamentares hesitam, gaguejam e, após breve negociação com a própria consciência (ou com a falta dela), respondem “sim” em tom baixo, como se confessassem um crime.
“Eles negam a própria base com medo de não serem aceitos pela população”, denunciou uma liderança comunitária de Pedra Branca, que preferiu não se identificar. “Querem se passar por aliados do prefeitão e do doutor Furlan, mas todo mundo sabe que andam coladinhos com o grupo do atraso do governador.”
Em Serra do Navio, a situação não é diferente. Cabos eleitorais relatam que os deputados evitam figuras ligadas ao governo justamente para não levantar suspeitas. “Na rua, juram amor ao Dr. Furlan. No gabinete, votam contra os interesses da região”, criticou um morador de Porto Grande, visivelmente irritado.
A tática, conhecida nos bastidores políticos como “farra do falso apoio”, visa conquistar votos de eleitores insatisfeitos com o atual cenário político, mas sem romper publicamente com o grupo do governador. O risco, segundo analistas, é que a população já aprendeu a desconfiar: “quanto mais o político fala que é de todo mundo, menos ele é de alguém”, ironizou um eleitor
Procurados pela reportagem, os deputados citados nas denúncias não responderam até o fechamento desta edição.
A recomendação dos moradores é clara: olho aberto, gravador ligado e voto na memória. “Se o deputado fala uma coisa na cidade e outra na capital, não merece confiança. Queremos gente que assuma o compromisso, não malandro de discurso duplo”, concluiu uma liderança de Porto Grande.
A reportagem segue acompanhando os desdobramentos.