Uma reportagem da revista Revista piauí joga luz sobre um contraste que chama atenção nos bastidores do poder em Brasília e principalmente no Amapá.
Segundo a publicação, o empresário Pierre, primo do senador Davi Alcolumbre, teve uma evolução patrimonial meteórica logo após a primeira eleição do parlamentar, em 2002.
De acordo com a reportagem assinada por Camille Lichotti e Allan de Abreu, das 19 empresas registradas em nome de Pierre e seus filhos, 14 foram abertas a partir de 2003, já no rastro da ascensão política do primo.
O detalhe que mais chama atenção: o capital social dessas empresas chega a R$ 19 milhões, incluindo propriedades rurais que somam quase 10 mil hectares algumas delas, segundo a reportagem, com sobreposição a áreas de assentamento do Incra e territórios quilombolas.
Enquanto isso, no papel, o patrimônio do senador segue um roteiro bem diferente.
Dados declarados à Justiça Eleitoral mostram que Alcolumbre informou possuir:
- R$ 1,13 milhão em 2014
- R$ 1,16 milhão em 2018
- R$ 1,15 milhão em 2022
Ou seja: praticamente estagnado ou até com leve queda.
Nos bastidores, porém, a história ganha outro tom.
Seis fontes ouvidas pela piauí, sob anonimato, afirmam que Pierre atuaria, na prática, como operador de interesses ligados ao senador, hipótese negada por Alcolumbre.
Procurado, o parlamentar respondeu que a acusação tenta lhe atribuir responsabilidade por negócios privados de terceiros com base em “associações especulativas”.
O contraste entre o patrimônio declarado e a expansão milionária no entorno familiar levanta questionamentos que, por enquanto, seguem sem resposta oficial concreta — mas já circulam com força nos bastidores políticos.