fonte Portal Seles Nafes
Nos bastidores da política amapaense, a movimentação é clara: quando a crise aperta, alguém precisa ser sacrificado. E, desta vez, o nome que surge como “culpado da vez” é o de um ex-vereador que até pouco tempo orbitava no núcleo mais próximo do prefeito em exercício de Macapá, Pedro DaLua (União).
A narrativa que começa a circular tenta cravar que esse ex-parlamentar teria sido o responsável pelo grampo que expôs a conversa explosiva entre DaLua e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União) áudio que veio a público pelo site Metrópoles e sacudiu os bastidores no fim de março.
O problema é que, para muitos, a versão soa mais como estratégia de contenção de danos do que como verdade consolidada.
No diálogo vazado, o conteúdo é politicamente sensível: DaLua e Alcolumbre discutem uma articulação para neutralizar pressões políticas e financeiras envolvendo o então prefeito Antônio Furlan (PSD), que à época enfrentava investigações e acabou deixando o cargo.
A crise girava em torno da retenção de repasses à Câmara Municipal, justamente quando uma CPMI investigava a MacapáPrev cenário que elevou a tensão entre Executivo e Legislativo.
Diante da repercussão do áudio, o que se vê agora é uma tentativa de reorganizar o tabuleiro. E, nesse jogo, a construção de um “responsável isolado” aparece como peça-chave para preservar relações políticas mais amplas.
Nos bastidores, a leitura é direta: a conta precisa fechar e, quando não fecha, alguém paga.
Resta saber se a versão do “ex-vereador grampeador” se sustenta ou se será apenas mais um capítulo de uma crise onde a disputa por narrativa vale tanto quanto os próprios fatos.