No epicentro de mais uma crise institucional que mistura política, investigação e conveniência, o Senado Federal vira palco de um embate que escancara o jogo de empurra quando o assunto é fiscalização de poder.
Sete senadores bateram à porta do Supremo Tribunal Federal com um mandado de segurança direto contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acusando-o de segurar ou simplesmente ignorar a instalação da CPI do Caso Master. E não é qualquer pedido: o requerimento já tem 53 assinaturas, número mais do que suficiente para tirar a comissão do papel desde novembro. Mas, curiosamente, segue parado. Engavetado. Silenciado.
A relatoria caiu nas mãos do ministro Nunes Marques, após sorteio. E aí começa outro capítulo que levanta sobrancelhas: o grupo de senadores tentou puxar o caso para André Mendonça, que já conduz investigações ligadas ao Banco Master. Queriam “prevenção”. Queriam conexão. Mas o STF decidiu ir no caminho padrão — sorteio. Resultado: caiu fora da rota desejada.
Enquanto isso, o pedido é claro e direto: obrigar Alcolumbre a fazer o que o cargo exige — ler o requerimento e instalar a CPI. Nada além do rito. Nada além do dever. Mas, no Brasil, até o óbvio precisa virar ação judicial.
Nos bastidores, a pergunta ecoa com força: por que tanta resistência em instalar a CPI do Master? O que está em jogo? Quem ganha com o silêncio? E, principalmente, quem perde com ele?
A movimentação dos advogados dos senadores deixa evidente o receio de que o caso seja empurrado com a barriga também no STF. Eles pediram prioridade na análise sobre quem deve relatar o caso antes de qualquer decisão liminar. Traduzindo: querem evitar que a decisão morra antes mesmo de nascer.
O Caso Master, que já respinga em figuras de peso e movimenta cifras bilionárias, agora entra oficialmente no radar de um confronto institucional entre Senado e Supremo. De um lado, parlamentares cobrando investigação. Do outro, a presidência da Casa sendo acusada de omissão.
No fim das contas, o roteiro é velho conhecido do brasileiro: quando a investigação chega perto demais de quem manda, o sistema trava. E quando trava… só resta recorrer ao STF.
A pergunta que fica é simples — e incômoda:
a CPI não sai por falta de interesse… ou por excesso de medo?