A poucos dias do encerramento da janela partidária, o União Brasil enfrenta um dos momentos mais delicados desde sua criação. A sigla, que nasceu grande após a fusão entre PSL e DEM e chegou a figurar entre as maiores bancadas da Câmara, agora vive um processo acelerado de esvaziamento político.
Dados recentes mostram que o partido já perdeu ao menos 20 deputados federais desde o início das movimentações, enquanto novas saídas ainda estão em negociação. Em contrapartida, o número de novos filiados não acompanha o ritmo das perdas, evidenciando um cenário de enfraquecimento estrutural.
A debandada ocorre em meio à janela partidária — período em que parlamentares podem trocar de sigla sem risco de perda de mandato — e reflete disputas internas, mudanças estratégicas e a busca por melhores condições eleitorais em 2026.
Entre os fatores apontados para o esvaziamento estão a federação com o PP, que aumentou a concorrência interna nos estados, e o reposicionamento de lideranças nacionais. Além disso, muitos parlamentares têm migrado para partidos com maior viabilidade eleitoral, como o PL, impulsionado pela força do voto ideológico.
O cenário acende um sinal de alerta para lideranças importantes do partido, como o senador Davi Alcolumbre e o governador Clécio Luís, que têm no União Brasil uma base política relevante no Amapá.
Com a perda de musculatura nacional, cresce a pressão sobre os diretórios estaduais e suas principais lideranças. A fragilidade da sigla pode impactar diretamente articulações locais, alianças e até projetos eleitorais futuros.
Nos bastidores, o que se vê é um redesenho do mapa político brasileiro — e o União Brasil, que já foi protagonista, agora luta para não perder ainda mais espaço no tabuleiro.