A crise na saúde pública federal acaba de ganhar mais um capítulo — e com potencial de impacto direto no atendimento à população.
Os empregados da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), todos concursados e responsáveis pelo funcionamento dos hospitais universitários em todo o país, anunciaram indicativo de greve por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira (27), às 19h.
O motivo? Segundo entidades sindicais, a empresa simplesmente ignorou as negociações e não apresentou qualquer proposta econômica concreta, mesmo após compromissos firmados no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Na prática, o recado da empresa foi o silêncio.
De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) e sindicatos filiados, todas as tentativas de diálogo foram esgotadas. Ainda assim, a resposta foi considerada “inaceitável”: nenhum reajuste, nenhuma reposição inflacionária e apenas avanços pontuais em cláusulas sociais.
Enquanto isso, quem segura a ponta do sistema segue sendo tratado como invisível.
Os trabalhadores da EBSERH — concursados que atuam diretamente nos hospitais universitários e garantem o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) — cobram apenas a reposição das perdas salariais acumuladas, que já ultrapassam 25% nos últimos anos.
Nem isso foi colocado na mesa.
Para os representantes da categoria, a postura da empresa revela mais do que desorganização: evidencia uma gestão que ignora deliberadamente sua própria força de trabalho, mesmo diante de acordos firmados na Justiça do Trabalho.
A consequência veio no limite.
A greve foi aprovada como último recurso diante de uma negociação esvaziada e sem respostas. Ainda assim, os serviços essenciais devem ser mantidos, conforme determina a legislação, para evitar colapso total no atendimento.
Nos bastidores, o clima é de indignação.
Profissionais que atuam diariamente na linha de frente da saúde pública afirmam que não aceitarão mais promessas vazias, nem o descaso institucional que, segundo eles, vem se arrastando há anos.
O alerta está dado.
Sem proposta, não há negociação.
Sem respeito, há greve.