Câmara de Mazagão implode: presidente é afastado após “prestação de contas de fachada” e clima vira caso de polícia

por Jean Bambam – Portal Bambam News

A crise política em Mazagão saiu do controle e agora escancara um cenário de desorganização, confronto institucional e total desprezo pela transparência pública.

O presidente da Câmara Municipal de Mazagão, Leôncio Filho(UB-AP) , o “Pona”, foi afastado do cargo no último dia 26 de março de 2026, por decisão dos próprios vereadores. A medida veio após uma sequência de episódios que mais parecem roteiro de escândalo do que gestão pública.

Tudo começou com a tão cobrada prestação de contas. Depois de meses sendo pressionado, o presidente finalmente apareceu. Mas o que entregou foi um deboche institucional: uma única folha de papel A4, com números genéricos, sem notas fiscais, sem balancetes bimestrais, sem qualquer comprovação.

Uma prestação de contas que, na prática, não presta contas de nada.

Questionado em plenário se aquilo era tudo que tinha a apresentar, Pona confirmou. E foi além: mandou os vereadores procurarem informações no portal da transparência  que, segundo relatos, sequer funciona — ou no Tribunal de Contas.

A resposta caiu como gasolina no incêndio.

Indignados, os parlamentares articularam e aprovaram um afastamento cautelar, encaminhando o caso também ao Ministério Público. Só que o presidente não aceitou o resultado. Abandonou a sessão no meio do processo, em atitude que reforça ainda mais o clima de ruptura institucional.

Mas o pior ainda estava por vir.

Ao tentarem assumir o controle da Câmara, os vereadores se depararam com a porta trancada com corrente e cadeado. Isso mesmo: um prédio público tratado como propriedade privada. O episódio terminou em delegacia, com registro de boletim de ocorrência.

E dentro da própria delegacia, o clima continuou pesado. Vereadoras relataram terem sido intimidadas por dois homens, reforçando denúncias de que esse tipo de pressão já vinha acontecendo nos bastidores.

O cenário fica ainda mais suspeito quando entra em cena um movimento político relâmpago: um vereador que estava afastado por exercer cargo de diretor financeiro na educação foi exonerado logo após a sessão e agora tenta retornar à Câmara com o objetivo de anular a votação.

Detalhe crucial: a sessão ocorreu antes da exoneração.

Ou seja, a cronologia levanta uma pergunta inevitável:
estão tentando reescrever o resultado no tapetão?

O afastamento de Pona não é um caso isolado. Ele ocorre em meio a um mês turbulento no Amapá, marcado por afastamentos e crises políticas em diferentes esferas, ampliando a sensação de instabilidade institucional no estado.

Enquanto isso, em Mazagão, a população assiste a um verdadeiro teatro político:
prestação de contas sem prova, decisão ignorada, cadeado em prédio público e denúncias de intimidação.

No fim das contas, a pergunta que ecoa nas ruas é simples:
quem está realmente no controle  a lei ou o improviso?

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