FALTA DE CONDUTORES HABILITADOS EXPÕE RISCO NO ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA DO CORPO DE BOMBEIROS DO AMAPÁ
Um documento oficial do Corpo de Bombeiros Militar do Amapá (CBMAP) acende um alerta preocupante sobre a estrutura do atendimento pré-hospitalar no estado. O Ofício nº 360101.0077.0816.0041/2026, encaminhado ao Comando Geral, revela a escassez de militares habilitados para conduzir viaturas de suporte básico (USB), fundamentais no socorro de urgência à população.
De acordo com o comandante do Grupamento de Atendimento Pré-Hospitalar (GAPH), Emerson Ângelo Dias Pessoa, há uma carência significativa de profissionais com capacitação técnica e habilitação adequada (categoria C ou superior) para dirigir veículos pesados, como as ambulâncias modelo Mercedes-Benz Sprinter 417, que possuem Peso Bruto Total superior a 3.500 kg — exigência legal prevista no Código de Trânsito Brasileiro.
Risco operacional e legal
O problema vai além da falta de pessoal. O próprio documento destaca que o serviço pré-hospitalar representa o maior volume de ocorrências atendidas pelo CBMAP, o que agrava ainda mais a situação. Sem condutores habilitados, há risco direto de comprometimento no atendimento à população.
A situação se torna ainda mais crítica diante de manifestações internas. Uma militar do próprio grupamento, a soldado Jéssica Nishi Dias, formalizou pedido para deixar a função de condutora, alegando inaptidão técnica e ausência de habilitação exigida por lei. No documento, ela também aponta os riscos civis, administrativos e penais envolvidos na condução irregular de viaturas.
Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, dirigir veículo com categoria diferente da exigida é infração gravíssima, sujeita a multa, apreensão do veículo e outras penalidades. Além disso, permitir que alguém nessas condições conduza também configura infração.
Efeito cascata pode agravar crise
O ofício alerta ainda que outros militares já demonstraram preocupação semelhante e cogitam deixar a função, o que pode gerar um efeito cascata dentro da corporação. Caso isso se concretize, o impacto pode ser direto na capacidade de resposta do Corpo de Bombeiros em situações de emergência.
Comando busca solução
Diante do cenário, o comando do GAPH solicitou orientação urgente ao Comando Geral, com o objetivo de encontrar uma solução que evite prejuízos ao serviço essencial prestado à população.
O caso escancara um problema estrutural que vai além da burocracia: trata-se de segurança pública, legalidade e, principalmente, vidas em risco.