O que era para ser um momento de conquista virou vitrine política. No Centro de Formação, onde cada aluno carrega nas costas noites mal dormidas, pressão psicológica e o sacrifício da família inteira, o discurso institucional resolveu seguir outro roteiro: o da bajulação.
Em vez de reconhecer o suor de quem ralou para chegar até ali, o superior preferiu reescrever a história. Segundo ele, se não fosse o governador Clécio, ninguém estaria se formando. Pronto. Em poucos segundos, apagaram o esforço individual, o apoio familiar e a dedicação que, de fato, sustentam qualquer formação séria.
Mas não parou por aí.
Como se não bastasse transformar mérito em propaganda, a cena ganhou reforço político. O deputado federal Lucas Abrahão apareceu no Centro de Formação, com a bênção do superior , para engrossar o coro pró-governo. Um espaço que deveria ser técnico, institucional e neutro virou extensão de palanque.
A pergunta que fica ecoando nos corredores e também fora deles é simples: desde quando formação de servidores virou ato político?
Porque uma coisa é certa: quando o mérito do aluno vira moeda de propaganda, quem perde não é só quem está na formatura. É a credibilidade da instituição inteira.
E no fim das contas, o recado que fica é preocupante: esforço próprio virou detalhe… o importante agora é quem leva o crédito no microfone.