Em política, coincidência demais costuma ter endereço e, em Macapá, o roteiro está ficando cada vez mais difícil de engolir.
Depois da bomba dos áudios que colocam no mesmo tabuleiro o senador Davi Alcolumbre e o prefeito interino Pedro DaLua, com menções a bastidores e possíveis influências no Judiciário amapaense, surge mais um movimento que acende o alerta vermelho.
DaLua assinou decreto nomeando Lorena Fonseca Quintas Lages para a presidência do Macapatur. Até aí, mais uma nomeação política. O detalhe que muda tudo: ela é esposa de João Guilherme Lages Mendes, desembargador do Tribunal de Justiça do Amapá.
E aí a pergunta que ecoa nos bastidores é simples e pesada:
é apenas uma nomeação técnica… ou mais uma peça no jogo de aproximação entre Executivo e Judiciário?
O timing não ajuda. A decisão vem logo após a divulgação de áudios que já levantaram suspeitas sobre articulações políticas com potencial impacto institucional. Agora, com esse novo movimento, a narrativa ganha mais combustível.
Especialistas ouvidos nos bastidores apontam que, mesmo quando não há ilegalidade formal, o problema está na percepção pública. E nesse quesito, o estrago já está feito.
Porque, no fim das contas, o cidadão olha e vê o quê?
Um prefeito interino cercado por polêmicas, um senador no centro de áudios explosivos… e uma nomeação que conecta diretamente o poder político ao topo do Judiciário estadual.
Pode até ser tudo “dentro da lei”.
Mas na política, nem tudo que é legal convence — e nem tudo que parece coincidência é inocente.
E Macapá segue assistindo.