Amapá registra sequência de feminicídios e expõe falhas na política de proteção às mulheres
A sucessão de casos de feminicídio registrados em março de 2026 no Amapá acendeu um alerta grave sobre a efetividade das políticas públicas de segurança voltadas às mulheres no estado. Em um intervalo de poucos dias, crimes com características semelhantes foram registrados em Santana e Macapá, reforçando a percepção de que a violência de gênero segue fora de controle.
No dia 18 de março, uma mulher foi assassinada com golpes de faca em frente ao forum de Santana , em plena luz do dia. Um dia antes, em 17 de março, outro caso envolvendo morte de mulher por arma branca foi registrado em Macapá, no bairro Açaí. Já no dia 10 de março, a jovem Ana Paula Viana Rodrigues foi morta por estrangulamento dentro do local onde trabalhava, também em Santana.
Os episódios, embora distintos, revelam um padrão preocupante: crimes cometidos com extrema violência, em locais públicos ou de trabalho, e em um curto espaço de tempo. A repetição dos casos evidencia que não se trata de situações isoladas, mas de um cenário contínuo de vulnerabilidade.
Dados recentes já indicavam o agravamento do problema. Em 2025, o Amapá registrou nove casos confirmados de feminicídio. Mesmo diante desse histórico e da adesão a iniciativas como o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, os números seguem preocupantes e, na prática, não demonstram redução consistente da violência.
Especialistas em segurança pública apontam que o enfrentamento ao feminicídio depende de ações integradas que vão além da repressão. Medidas preventivas, proteção efetiva às vítimas que denunciam ameaças, estrutura adequada de atendimento e agilidade nas respostas institucionais são fatores considerados essenciais e que ainda apresentam fragilidades.
A recorrência dos crimes em março levanta questionamentos diretos sobre a eficácia das políticas adotadas no estado. Embora haja investigações em andamento e manifestações oficiais após cada caso, a repetição dos episódios indica que as estratégias atuais não têm sido suficientes para impedir novas ocorrências.
Na prática, o que se observa é um descompasso entre o discurso institucional e a realidade enfrentada pelas mulheres. A ausência de resultados concretos na redução dos casos reforça a necessidade de revisão das políticas públicas de segurança e proteção, sob responsabilidade do governo estadual, para que deixem de ser reativas e passem a atuar de forma preventiva e eficaz.
Sem mudanças estruturais, o risco é de que os feminicídios continuem a se repetir, consolidando um cenário de insegurança e evidenciando falhas graves na proteção de mulheres no Amapá.