O roteiro é conhecido: surge uma denúncia, a gestão solta uma nota forte, usa palavras de impacto como “irregularidades”, “conflito de interesses” e “vazamento de informações”, e tenta encerrar o assunto antes que as perguntas certas apareçam.
Mas dessa vez, a narrativa da Prefeitura de Macapá, sob comando interino de Pedro Dalua, começou a ruir mais rápido do que o esperado.
A versão oficial diz que houve rescisão do contrato com a empresa Premium One por suspeitas graves. A intenção é clara: passar a imagem de pulso firme, combate à irregularidade e “faxina” administrativa.
Só que a realidade — ou pelo menos a outra versão dos fatos — não bate.
A ex-presidente da MacapáPrev, Janayna Ramos, veio a público e desmontou ponto por ponto:
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Não houve rescisão, mas suspensão temporária do contrato
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O contrato não foi feito na sua gestão
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E mais grave: a contratação ocorreu via pregão eletrônico, ou seja, dentro de um rito formal, e não por dispensa suspeita
Ou seja: a narrativa de “contrato irregular descoberto agora” começa a perder força.
E aí entra a pergunta que incomoda:
Se não houve rescisão, por que anunciar como se fosse?
Se o contrato seguiu rito legal, onde está exatamente a irregularidade?
E por que transformar um processo administrativo em espetáculo político?
Nos bastidores, o que se comenta é que a gestão interina tenta construir uma narrativa de crise herdada uma velha estratégia para justificar decisões apressadas e, principalmente, criar um ambiente de “terra arrasada”.
O problema é que, quando versões entram em conflito público, quem perde não é só a credibilidade do discurso… é a confiança da população.
Porque transparência não é discurso de coletiva.
Transparência é coerência entre o que se fala e o que de fato aconteceu.
E, neste caso, o que se vê até agora é uma gestão que acusa forte… mas começa a ser confrontada com fatos que não encaixam.
A sociedade macapaense assiste, atenta e cada vez mais desconfiada.
Porque no fim, não basta falar em irregularidade.
É preciso provar.