BANQUEIRO PRESO, DEFESA TROCADA E O FANTASMA DA DELAÇÃO: VORCARO PODE ABRIR A CAIXA-PRETA DO BANCO MASTER
Quando um banqueiro troca a defesa no meio de um escândalo bilionário, em Brasília todo mundo entende o recado. E ele costuma vir acompanhado de duas palavras que fazem muita gente perder o sono: delação premiada.
O banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura fraudes envolvendo o Banco Master, decidiu nesta sexta-feira (13) substituir sua equipe de advogados. A mudança ocorreu logo após a Segunda Turma do STF formar maioria para manter sua prisão, decisão que o mantém custodiado na Penitenciária Federal de Brasília por tempo indeterminado.
Sai a banca do advogado Pierpaolo Bottini, conhecido por suas críticas aos acordos de colaboração, e entra em cena o criminalista José Luis Oliveira, profissional com longa experiência justamente na negociação de delações premiadas.
Em Brasília, a leitura é direta:
quando entra advogado especialista em delação, é porque alguém pode começar a falar.
José Luis Oliveira já participou de acordos que sacudiram o país. Entre eles, a colaboração do ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, um dos delatores centrais da Operação Lava Jato. Também atuou em casos envolvendo o general Braga Netto e o ex-ministro José Dirceu.
Prisão mantida no STF
A permanência de Vorcaro na prisão foi confirmada pela maioria da Segunda Turma do STF. Até agora, os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques votaram para manter a custódia. Falta apenas o voto de Gilmar Mendes, e o julgamento virtual segue até o dia 20.
O banqueiro foi preso novamente em março durante a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Segundo as investigações, mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicariam planos para intimidar o jornalista Lauro Jardim, incluindo a ideia de forjar um assalto.
As apurações também apontam que o ex-banqueiro manteria uma espécie de milícia privada chamada “A Turma”, que seria utilizada para ameaçar desafetos.
Bastidores pesados no Supremo
O caso também ganhou contornos delicados dentro do próprio STF. O ministro Dias Toffoli decidiu se declarar impedido por foro íntimo e deixou a relatoria do processo após surgirem revelações sobre conexões entre o banco de Vorcaro, o resort Tayayá e uma empresa da qual o magistrado seria sócio.
Com isso, a relatoria passou para o ministro André Mendonça.
O ventilador pode ligar
Nos bastidores políticos e empresariais de Brasília, uma pergunta começa a circular com força:
Se Daniel Vorcaro decidir colaborar com a Justiça, quem mais pode aparecer nessa história?
Porque quando um banqueiro decide falar, não costuma cair só poeira — às vezes cai gente grande junto.