Grito Propaganda e Nagib Comunicação já recebem R$ 3,7 milhões do governo em 2026

Enquanto hospitais reclamam de estrutura, escolas enfrentam dificuldades e obras públicas caminham a passos lentos, o governo do Amapá parece ter encontrado uma área que nunca entra em crise: a propaganda oficial.

Em 2025, a Secretaria de Estado de Comunicação (SECOM) iniciou o ano com um orçamento de R$ 36 milhões. Mas, ao longo do exercício, o valor foi inflado e terminou em R$ 52,9 milhões — todos 100% empenhados.

Até aí já chama atenção. Mas o dado mais impressionante está na concentração dos recursos.

Nada menos que 72% de todo o orçamento da comunicação do governo foi destinado a apenas duas empresas de publicidade:

  • GRITO Propaganda Ltda: recebeu R$ 22.728.091,01 (42,91%)

  • Nagib Comunicação e Marketing Ltda: recebeu R$ 15.461.402,95 (29,19%)

Somadas, as duas empresas abocanharam R$ 38.189.493,96 em recursos públicos em apenas um ano.

Os pagamentos foram feitos com base nos Contratos nº 002/2024-SECOM e nº 003/2024-SECOM, cada um no valor de R$ 25 milhões, ambos com o mesmo objeto: prestação de serviços de publicidade e comunicação institucional.

Mas a engrenagem da propaganda não parou em 2025.

Logo no início de 2026, por meio do 3º Termo Aditivo, os dois contratos tiveram a vigência prorrogada por mais 12 meses e ainda receberam um acréscimo de aproximadamente R$ 28 milhões.

E os pagamentos já começaram antes mesmo do ano avançar:

  • GRITO Propaganda Ltda: R$ 1.256.511,71 pagos em 2026

  • Nagib Comunicação e Marketing Ltda: R$ 2.532.179,22 pagos em 2026

Total já desembolsado em 2026: R$ 3.788.690,93

Ou seja: enquanto áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura continuam enfrentando falta de recursos e cobranças da população, a máquina da comunicação institucional segue funcionando a todo vapor.

A pergunta que fica é inevitável:

essa é realmente a prioridade do governo?

Porque, no fim das contas, propaganda não constrói hospital, não melhora escola e não tapa buraco em estrada.

O dinheiro público precisa servir primeiro à população — não à ampliação permanente dos gastos com marketing institucional.

E uma coisa é certa:
quando o assunto é dinheiro público, o Bambam News vai continuar olhando de perto.

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