Folia ou prioridade? UEAP atrasa bolsas por três meses enquanto organiza bloquinho com camisa gratuita

Folia ou prioridade? UEAP atrasa bolsas por três meses enquanto organiza bloquinho com camisa gratuita

A Universidade do Estado do Amapá (UEAP) vive um daqueles momentos em que a realidade dentro do campus parece caminhar em direção oposta ao discurso institucional. Enquanto estudantes acumulam três meses de atraso no pagamento de bolsas acadêmicas, a gestão da universidade decidiu investir energia na organização de um bloquinho festivo com distribuição gratuita de camisas.

A situação vem provocando indignação crescente entre alunos que dependem diretamente desses recursos para continuar estudando.

Segundo relatos da própria comunidade acadêmica, estão em atraso bolsas de iniciação científica, projetos de extensão e auxílios de assistência estudantil — valores que, para muitos universitários, não são apenas incentivo acadêmico, mas a base da sobrevivência dentro da universidade.

Com o atraso, estudantes relatam dificuldades para pagar transporte, alimentação e até moradia. Em vários casos, o dinheiro das bolsas também é utilizado para custear materiais e atividades ligadas aos próprios projetos de pesquisa.

Enquanto isso, o que aparece nas redes internas da instituição é a divulgação de um evento festivo com distribuição gratuita de camisas, iniciativa que caiu como gasolina no fogo da insatisfação estudantil.

Nos corredores da UEAP, o sentimento é de revolta.

“Tem aluno contando moeda para pegar ônibus e vir para a universidade, enquanto a gestão distribui camisa e organiza festa”, relatou um estudante que preferiu não se identificar.

Mas o problema não para por aí.

Outro ponto que aumenta o desgaste da gestão é o restaurante universitário, cuja inauguração vem sendo prometida há meses, mas até agora segue sem data definida para começar a funcionar.

O restaurante é considerado uma das políticas mais importantes de permanência estudantil em universidades públicas, especialmente em um estado como o Amapá, onde muitos alunos vêm do interior e enfrentam dificuldades financeiras para se manter na capital.

Sem bolsas pagas e sem restaurante funcionando, cresce a sensação de que as prioridades administrativas da universidade estão completamente fora de ordem.

A pergunta que ecoa entre estudantes e professores é simples — e incômoda:

A prioridade da UEAP é garantir permanência estudantil ou organizar bloquinho universitário?

Até o momento, a administração da universidade não divulgou um calendário público para regularizar os pagamentos das bolsas.

Enquanto isso, dentro da comunidade acadêmica, a cobrança aumenta por transparência, responsabilidade e respeito com os estudantes que dependem diretamente dessas políticas para continuar estudando.

Porque, no fim das contas, universidade pública não vive de confete.

Vive de pesquisa, ensino, permanência estudantil e gestão responsável do dinheiro público.

Postagens relacionadas

MP-AP fiscaliza hospitais e cobra cumprimento de decisões judiciais na saúde pública

“Kit miséria”: escola municipal entrega material de limpeza limitado e revolta moradores no Jardim Açucena

Parecer sem prova vira manchete: o roteiro da turma do atraso para tentar ganhar no grito