Por Jean Bambam
Uma investigação da Divisão Especial de Repressão à Corrupção da Polícia Civil do Amapá pode revelar um dos episódios mais polêmicos da política recente em Macapá. Um inquérito policial foi instaurado no dia 2 de março de 2026, a pedido do Ministério Público do Estado do Amapá, para apurar suspeitas de irregularidades na Câmara Municipal de Macapá. Número do processo 6016238-23.2026.8.03.0001
A investigação nasceu a partir de denúncia anônima encaminhada à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público (PRODEMAP) e levanta suspeitas de um possível esquema de nomeações em massa que pode ter transformado cargos públicos em moeda política dentro do Legislativo municipal.
A matemática que não fecha
O ponto central da investigação é um número que chamou a atenção das autoridades: aproximadamente 994 assessores nomeados.
O problema é que a estrutura da Câmara Municipal de Macapá possui:
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23 gabinetes de vereadores
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23 salas administrativas
Ou seja, segundo a denúncia, o número de assessores seria totalmente desproporcional à estrutura física e funcional do órgão, levantando a suspeita de que parte dessas nomeações poderia existir apenas no papel — enquanto o dinheiro sairia do cofre público.
Nos bastidores, investigadores buscam descobrir quem realmente trabalha e quem apenas aparece na folha de pagamento.
Possível ligação com interesses políticos
Outro ponto que entrou no radar da investigação é a suspeita de que algumas dessas nomeações poderiam estar ligadas a interesses políticos e econômicos, inclusive com possível relação com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amapá (SETAP).
Se confirmado, o caso pode revelar uma engrenagem política onde cargos públicos seriam usados como moeda de troca para sustentar alianças e interesses privados.
Quem está sendo investigado
O inquérito cita como investigados:
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Francisca Nogueira Melo
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Dennis Policarpo de Melo Junior
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Felipe Edson Pinto
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Pedro dos Santos Martins
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Décio Santos de Melo
Todos são investigados por possíveis irregularidades relacionadas à gestão administrativa e financeira da Câmara.
Crimes que podem aparecer no caminho
Dependendo do que for comprovado durante a investigação, os fatos podem configurar crimes graves contra a administração pública, entre eles:
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Peculato — desvio de dinheiro público;
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Associação criminosa — quando duas ou mais pessoas se organizam para cometer crimes;
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Falsidade ideológica — inclusão de informações falsas em documentos oficiais;
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Lavagem de dinheiro — tentativa de esconder a origem de recursos desviados.
Investigação já está nas mãos da Justiça
O caso já está sob acompanhamento da Central de Garantias do Tribunal de Justiça do Amapá, que poderá autorizar diligências mais profundas, incluindo:
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quebras de sigilo bancário
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análise de movimentações financeiras
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levantamento completo da folha de pagamento da Câmara.
Por enquanto, o caso ainda está em fase de investigação e não há denúncia formal apresentada pelo Ministério Público.
Mas uma pergunta já ecoa nos corredores da política amapaense:
Macapá realmente precisava de quase mil assessores… ou alguém estava usando a máquina pública como balcão de empregos políticos?