A crise política em Brasília ganhou um novo capítulo envolvendo o senador amapaense Davi Alcolumbre. A bancada do Partido Novo protocolou no Conselho de Ética do Senado um pedido de afastamento imediato do presidente da Casa, acusando-o de omissão e de impedir o funcionamento pleno do Parlamento.
A representação foi apresentada pelo senador Eduardo Girão, que acusa Alcolumbre de segurar deliberadamente pedidos de impeachment contra ministros do STF e barrar a instalação de comissões de investigação.
Segundo Girão, o Senado estaria vivendo um cenário de paralisia institucional, causado pela postura da presidência da Casa. O parlamentar afirma que dezenas de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo estão simplesmente parados na mesa de Alcolumbre, sem qualquer andamento.
Dados do próprio sistema do Senado apontam que existem ao menos 46 pedidos de impeachment contra ministros do STF aguardando análise. O ministro Alexandre de Moraes concentra o maior número de solicitações, seguido por Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
Para o senador do Novo, a situação não pode mais ser tratada como simples atraso administrativo.
“Não é inércia. É uma estratégia deliberada de impedir que o Senado exerça seu papel de controle sobre os outros poderes”, afirma a representação.
Além do chamado “engavetamento” de processos, Alcolumbre também é acusado de bloquear a instalação da CPMI do Banco Master, mesmo após a oposição reunir o número de assinaturas necessárias desde 2025.
Na prática, críticos afirmam que o Senado estaria funcionando sem cumprir um de seus papéis constitucionais mais importantes: fiscalizar o Judiciário e investigar possíveis irregularidades.
O episódio se torna ainda mais simbólico porque o próprio Conselho de Ética do Senado — órgão que deveria analisar a representação — está parado desde 2024, sem sequer ter sido instalado para o atual biênio.
Enquanto isso, cresce nos bastidores de Brasília a pressão para que a presidência da Casa deixe de travar investigações e permita que os processos avancem.
Para setores da oposição, a denúncia contra Alcolumbre expõe um problema maior: o Senado estaria deixando de cumprir seu papel constitucional enquanto temas explosivos ficam acumulando poeira nos corredores do Congresso.