Um relatório sigiloso da Polícia Federal, obtido com exclusividade, revela novos desdobramentos sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Amapá. O empresário Breno Barbosa Chaves Pinto — dono das empresas LB Construções e Construtora Rio Pedreira, além de suplente de senador — é citado como figura central nas investigações.
De acordo com o documento, no dia 7 de novembro de 2024, Breno foi flagrado saindo da agência do Banco do Brasil no município de Santana (AP) após realizar um suposto saque em espécie no valor de R$ 350 mil. Ele utilizava um veículo branco Compass, de placa QLT-8D93, pertencente à empresa 2A LTDA, e portava uma mochila azul, onde o dinheiro teria sido transportado. A ação foi monitorada por agentes da Polícia Federal, que acompanharam o trajeto até a sede da LB Construções, em Macapá.
O relatório também detalha a existência de e-mails e mensagens que ligam Breno a um esquema mais amplo de influência política e desvio de recursos públicos dentro do DNIT. A investigação aponta o empresário como uma das lideranças de uma organização criminosa que atuava com liberação direcionada de recursos, incluindo favorecimento em obras e editais.
Mensagens interceptadas pela PF entre Breno e Marcello Vieira Linhares, outro investigado, indicam a tentativa de interferência em nomeações de cargos técnicos, além de articulações segundo a policial fedral diretamente com o senador Davi Alcolumbre, que teria prometido “dar uma pressão nos órgãos” para acelerar repasses financeiros.
O material reforça a suspeita de tráfico de influência e uso indevido da máquina pública. Breno teria participado ativamente do controle de fluxos financeiros e de planilhas de pagamento paralelas, compartilhadas por aplicativos com outros investigados.
As informações fazem parte do processo nº 2198300765, que tramita na Justiça Federal, e trazem novos elementos sobre o possível envolvimento de figuras políticas e empresariais em fraudes milionárias no setor de infraestrutura do estado. A investigação segue em sigilo e pode ter desdobramentos nos próximos dias.