Carnaval Patrocinado para Poucos: A Conta Não Fecha para o Povo do Amapá
Enquanto o Governo do Amapá anuncia com pompa o patrocínio de R$ 10 milhões à tradicional Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro, a realidade do brincante amapaense é bem diferente da festa mostrada nos palcos oficiais.
Quem sonha em desfilar e sambar na avenida não recebe incentivo algum. Pelo contrário: precisa pagar do próprio bolso entre R$ 4 mil e R$ 6 mil apenas pela fantasia. E a conta não para aí. Hospedagem, café da manhã, almoço, jantar e bebidas ficam totalmente por conta do folião. No fim das contas, o carnaval “patrocinado” vira um luxo inacessível para o povo que banca o Estado com seus impostos.
A pergunta que ecoa nas ruas é simples e incômoda: esse carnaval é para quem? Certamente não é para o trabalhador, nem para o jovem da periferia, nem para o povo que enfrenta filas na saúde, dificuldades na educação e abandono em áreas essenciais.
O que se vê é mais um capítulo do velho enredo da turma do atraso, a mesma que há 30 anos circula pelos corredores do poder, sugando recursos públicos e transformando cultura em vitrine política. Para eles, camarotes e holofotes. Para o povo, a conta sempre alta.
No Amapá real, falta investimento onde realmente importa. Já no carnaval de luxo, sobra dinheiro público para aparecer fora do Estado. Não é festa popular. É espetáculo para poucos, pago por muitos.