O senador Lucas Barreto (PSD-AP) assinou a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará o Banco Master.

Único parlamentar do Amapá a apoiar CPMI, Lucas Barreto deixa lacuna na fiscalização local

A decisão do senador Lucas Barreto (PSD/AP) de ser o único parlamentar da bancada amapaense a assinar a proposta da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master coloca em evidência um vácuo de representação no estado frente a um escândalo de impacto direto na população local. Enquanto a CPMI visa investigar as operações nacionais do banco, o Amapá convive com uma ferida específica: o desvio de R$ 400 milhões dos cofres da Amapá Previdência (AMPREV) para o Banco Master.

O repasse milionário ocorreu sob a gestão do então governador Clécio Luís (solidariedade) e do presidente da  AMPREV, Jocildo Lemos . A movimentação financeira, justificada como busca por rentabilidade, alimentou o esquema do banco de Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal em 2025 por crimes como lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

A posição isolada de Barreto suscita questionamentos sobre a abrangência e o foco das investigações. Especialistas e a sociedade civil amapaense cobram que as apurações não se limitem à esfera nacional, mas que iluminem com rigor o uso dos recursos públicos estaduais, responsáveis por um rombo bilionário que afeta diretamente aposentados e pensionistas.

O silêncio do conjunto da bancada federal do Amapá sobre a criação da CPMI é interpretado por observadores políticos como uma tentativa de apartar as investigações nacionais do escândalo local, que envolve aliados de diferentes espectros. A pergunta que se impõe é se a comissão terá fôlego e autonomia para seguir o rastro do dinheiro que saiu dos cofres da AMPREV, ou se o caso amapaense ficará à margem dos trabalhos.

Enquanto isso, a AMPREV, cai em descrédito  . A população aguarda por um compromisso concreto e transparente de todos os seus representantes, que priorize a devassa completa dos fatos e a recuperação dos recursos, acima de qualquer conchavo político. A assinatura solitária de Barreto na CPMI é um ponto de partida, mas longe de ser a resposta completa que o Amapá exige.

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