Operação da Polícia Civil apreende 20 kg de drogas e R$ 112 mil, e desarticula grupo criminoso com alto poderio em Macapá


A 3ª Promotoria de Justiça Criminal de Macapá ofereceu denúncia contra três homens por integrar uma organização criminosa dedicada ao tráfico de drogas na capital amapaense. A ação, concluída em dezembro de 2025, resultou na apreensão de aproximadamente 20 quilos de entorpecentes, uma arma de fogo e mais de R$ 112 mil em dinheiro vivo.

Os denunciados são Nycksson Renato Luz dos Anjos (33 anos), Raimundo Benedito Coelho da Silva, vulgo “Alex” (46 anos), e Sávio Balieiro Marques, conhecido como “Dragão” ou “Tesoureiro” (29 anos). Este último encontra-se recolhido no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (IAPEN).

A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), começou com informações de que Sávio, apontado como uma liderança no abastecimento de drogas no estado, faria uma entrega na Zona Norte de Macapá. No dia 22 de dezembro, policiais monitoraram um veículo Hyundai HB20, prata, conduzido por Nycksson e com Sávio como passageiro.

O carro saiu da casa de Sávio, no bairro Muca, e seguiu até o bairro Trem, onde os ocupantes receberam um pacote do motociclista Raimundo. A abordagem foi realizada na Rua Maria Silva Xavier, no Novo Horizonte. No interior do carro, os agentes encontraram uma sacola com cerca de 1 kg de maconha e R$ 2.000 em espécie.

Ações em Sequência e Achados

Diante da prisão em flagrante, Sávio indicou um imóvel usado como depósito no bairro Infraero I. No local, foram apreendidos 19 tabletes de maconha, totalizando 18,735 kg da droga.

Na sequência, em diligência à residência pessoal de Sávio, no Muca, a polícia realizou a apreensão mais expressiva em valores: R$ 110.000 em dinheiro, uma máquina de contar cédulas e um revólver calibre .38 com numeração raspada e dez munições. Os itens reforçam, segundo o Ministério Público, o “alto poderio econômico e bélico” do grupo e a alcunha de “Tesoureiro” atribuída a Sávio.

Simultaneamente, outra equipe localizou Raimundo em sua casa, no Novo Buritizal. Ao avistar os policiais, ele tentou fugir, mas foi contido. No imóvel, foram apreendidos aproximadamente 1 kg de cocaína, além de porções menores da droga escondidas dentro de uma centrífuga, e R$ 900.

Confissão e Defesas

Durante os interrogatórios, Raimundo confessou a prática do crime, admitindo que realizava o transporte das drogas sob ordens recebidas por aplicativos de mensagem e era pago por entrega. Nycksson negou envolvimento, alegando que apenas fazia um serviço de transporte por aplicativo. Já Sávio optou por permanecer em silêncio, direito assegurado pela Constituição.

Denúncia e Pedidos do MP

Na denúncia, o promotor Júlio Luiz de Medeiros Alves Kuhlmann enquadrou Nycksson e Raimundo nos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Sávio foi denunciado por esses mesmos crimes, além de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.

O Ministério Público afirmou que a “materialidade e indícios de autoria” ficaram demonstrados por laudos periciais, depoimentos e pela confissão parcial. Devido à gravidade dos fatos e à pena mínima total superior a quatro anos, o MP considerou inviável a proposta de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP).

Além da condenação criminal, a promotoria requer a fixação de reparação por danos morais coletivos no valor mínimo de R$ 220.000, “visando à função pedagógica e punitiva da reparação diante da ofensa a direitos difusos da sociedade atingida pelo tráfico de drogas”.

O caso, registrado sob o número 6103806-14.2025.8.03.0001, foi distribuído à Vara Criminal da Comarca de Macapá e agora segue para análise judicial.

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