Crime financia festa? Empresa investigada por ligação com PCC patrocina a virada de 2026 no Amapá

Um patrocínio milionário ligado à festa de réveillon de 2026 no Amapá está no centro de um escândalo que une crime organizado, operações da Polícia Federal e o mundo das apostas esportivas. A empresa 7K Bet, anunciada como patrocinadora da programação oficial de ano novo do governo estadual, é uma das investigadas na Operação Narco Bet, que desarticula um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A operação, deflagrada em outubro, prendeu o influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira, e o contador Rodrigo de Paula Morgado, apontado pela PF como o “operador logístico-financeiro” do esquema. Segundo as investigações, Morgado estruturou transações milionárias destinadas ao setor de apostas online para mascarar a origem ilícita de recursos. A 7K Bet é operada pelo Grupo Ana Gaming, que teve R$ 631 milhões em bens bloqueados pela Justiça Federal por conta dos fortes indícios de lavagem de dinheiro.

O elo perigoso: do PCC ao patrocínio oficial

As investigações revelam um esquema transnacional complexo, que utilizava criptomoedas, empresas de fachada e intermediadores para “esquentar” dinheiro do tráfico internacional de drogas. De acordo com a Polícia Federal, o contador Rodrigo Morgado atuava como um “banco particular” para outros investigados, movimentando vultosas quantias às margens do sistema financeiro oficial.

O Grupo Ana Gaming, controlador da 7K Bet, está diretamente citado nesse esquema. A PF identificou transferências milionárias em criptomoedas envolvendo o contador Morgado, o grupo e um indivíduo conhecido como “Feio” ou “Brabo”, ligado à casa de apostas. O dinheiro, segundo os investigadores, seria oriundo do tráfico internacional de drogas.

“Há fortes indícios de lavagem de dinheiro”, afirmou a juíza Raecler Baldresca, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), ao manter o bloqueio dos R$ 631 milhões do Grupo Ana Gaming e do Grupo Cactus.

Patrocínios em alta e investigações em andamento

Apesar das graves acusações, a 7K Bet expandiu agressivamente seu marketing no Brasil. A empresa não apenas é a patrocinadora máster do Santos Futebol Clube, como também patrocinou o Maior São João do Mundo de 2025 em Campina Grande. Agora, a marca está vinculada à principal festa de fim de ano do estado do Amapá.

Além da investigação criminal, a empresa enfrenta um Procedimento Preparatório no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão irá apurar se uma campanha da 7K Bet que oferecia ingressos para um clássico do Santos em troca de apostas configura venda casada e infração à ordem econômica.

🔍 O que dizem os envolvidos

  • Polícia Federal e Ministério Público Federal: Apontam um esquema de lavagem de dinheiro do PCC operado através de apostas online e criptomoedas. O MPF já denunciou Buzeira, Morgado e outras nove pessoas por lavagem de dinheiro e organização criminosa.

  • Grupo Ana Gaming (controlador da 7K Bet): Negou qualquer envolvimento com o influenciador Buzeira. A empresa alegou à Justiça que o bloqueio de seus bens inviabiliza suas operações, mas o pedido de liberação foi negado por falta de comprovação da legalidade da origem dos valores.

  • Defesa do contador Rodrigo Morgado: Alega que ele é inocente e que possui documentos que comprovam a licitude de suas atividades profissionais, sem qualquer vínculo com o tráfico.

  • Defesa do influenciador Buzeira: Afirma que não há elementos concretos que comprovem seu envolvimento em atividades ilícitas e pede respeito à presunção de inocência.

A reportagem que deu origem a estas informações pode ser lida na íntegra no Estadão.

O caso coloca sob holofote a origem do dinheiro que financia grandes patrocínios públicos e esportivos no país, levantando uma questão urgente: até que ponto o crime organizado pode estar se infiltrando em eventos oficiais e no cotidiano dos brasileiros por meio de empresas aparentemente legais?

https://valor.globo.com/politica/noticia/2025/12/17/alcolumbre-tenta-mas-senadores-no-deixam-pautar-regulamentao-de-cassinos.ghtml

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