Rede de aliados no Amapá é alvo de ação do MP por atos na Previdência estadual

O Ministério Público do Amapá move uma Ação Civil Pública (ACP) contra o Estado, a autarquia Amapá Previdência e o conselheiro José Milton Afonso Gonçalves, figura central em uma rede de aliados do governador Clécio Luís (Solidariedade) e do senador Davi Alcolumbre (União Brasil). A reportagem do Estadão revela os vínculos políticos e funcionais que ligam o alvo da ação a nomes-chave do poder no estado.

José Milton Gonçalves é identificado na ação como pessoa física ré, além das entidades públicas. O conselheiro tem trajetória próxima a Davi Alcolumbre e ao ex-deputado federal Luiz Carlos Gomes dos Santos Júnior, atual secretário das Cidades do governo Clécio Luís. A atuação de Gonçalves na Previdência estadual ocorreu em período de gestões politicamente alinhadas.

Trilha de cargos e alianças
A proximidade com o núcleo do poder no Amapá fica evidente na trajetória de Gonçalves. Ele trabalhou ao lado de Luiz Carlos Gomes dos Santos Júnior, que presidiu a MACAPAPREV (Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Macapá) durante a gestão do então prefeito Clécio Luís. Quando Clécio deixou a prefeitura, Gonçalves migrou para assessoria parlamentar do senador Davi Alcolumbre, aprofundando os laços com uma das famílias mais influentes da política amapaense.

A ACP do MP, que segue em trâmite, coloca sob escrutínio os atos de Gonçalves no comando da Previdência estadual. A autarquia é responsável pela gestão de recursos de milhares de servidores. O Ministério Público questiona a legalidade de decisões e a possível lesão ao patrimônio público, embora os detalhes específicos das alegações ainda estejam sob segredo de justiça.

Conexões amplas
Além de Davi Alcolumbre e do secretário Luiz Carlos, a rede de relações de Gonçalves inclui o atual-presidente do Sebrae Josiel Alcolumbre, irmão  de Davi, e o ex-governador Waldez Góes (PDT). O governador Clécio Luís, embora não seja réu na ação, aparece como peça central no arranjo político que levou seus aliados a postos-chave na administração pública, antes em Macapá e agora no estado.

A defesa de José Milton Gonçalves não se manifestou publicamente até o momento. Procurados, os governos estadual e municipal, assim como o senador Davi Alcolumbre, não comentaram o processo. A ação segue em análise na Justiça, com o MP requerendo investigação aprofundada, possíveis condenações por atos de improbidade administrativa e a reparação de danos ao erário.

O caso expõe o emaranhado entre cargos técnicos sensíveis e alianças políticas no Amapá, levantando questionamentos sobre a gestão de fundos previdenciários durante períodos de transição de poder entre grupos aliados.

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