Espiral de Dívidas: Governo do Amapá Quer Novo Empréstimo para Cobrir Rombo de Gestão

Por Bambam News

A situação fiscal do Amapá parece ter entrado em um ciclo vicioso perigoso: contrai dívidas para cobrir buracos, gera novos rombos com más gestões e, em seguida, busca mais empréstimos como única saída. O último capítulo dessa novela de irresponsabilidade fiscal veio à tona através de uma denúncia do deputado estadual R. Nelson, que alertou: o Governo do Estado, ainda se recuperando de um prejuízo de R$ 400 milhões em uma operação desastrosa com o Banco Master, já articula na Assembleia Legislativa do Amapá (ALAP) a autorização para um novo endividamento.

A pergunta, que ecoa nos corredores do poder e nas ruas, é inevitável: até quando a população amapaense será condenada a pagar a conta por erros de gestão que se repetem?

O silêncio eloquente e as explicações pouco convincentes sobre o rombo milionário anterior não inspiram confiança. Pelo contrário, criam o cenário perfeito para a desconfiança. Agora, a mesma administração que não foi capaz de prestar contas claras à sociedade sobre como perdeu o equivalente a centenas de milhões em investimentos em saúde, educação e infraestrutura, volta à cena pedindo mais crédito. A estratégia parece ser a de empurrar a crise com a barriga, aumentando a dívida pública como se esta fosse uma solução corriqueira, e não um agravante de longo prazo.

Enquanto o governo se movimenta nos bastidores para obter o aval para mais um empréstimo, a realidade do cidadão comum permanece estagnada. Serviços essenciais continuam com déficits crônicos, obras públicas acumulam atrasos e a qualidade de vida decai. O dinheiro que deveria estar sendo investido para reverter esse quadro foi evaporado em operações financeiras de alto risco, cujos detalhes permanecem na penumbra.

A justificativa para o novo empréstimo, ainda não explicitada oficialmente de forma transparente, é a que mais preocupa: será mais uma manobra para tapar o buraco deixado pela gestão anterior? A prática de contrair novas dívidas para pagar as antigas, maquiada de “medida necessária” ou “gestão moderna”, é um roteiro conhecido que só adia o colapso e amplia seu impacto.

O que se vê no Amapá é a crônica de um prejuízo anunciado. Em setembro, alertas sobre os riscos da operação com o Banco Master foram ignorados. O resultado foi o rombo. Agora, a população, que já é a verdadeira pagadora desses fracassos, é colocada novamente na posição de refém de uma gestão que insiste no caminho da opacidade e do endividamento fácil.

A ALAP, portanto, tem diante de si não apenas um pedido de autorização, mas um teste de seu papel fiscalizador. Ceder a mais este empréstimo sem que todas as luzes sejam acesas sobre os R$ 400 milhões perdidos seria compactuar com uma espiral fiscal sem fim. O povo do Amapá merece mais do que novas dívidas; merece respostas, transparência e, acima de tudo, responsabilidade com o seu dinheiro.

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