“Nunca vi o Davi com tanto ódio de alguém como está do Lula”, disse um parlamentar. Outro foi além: “Ele está possesso. Está com um ódio do Lula”.

 Uma tempestade política com epicentro no Amapá ameaça a estabilidade da base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado e expõe uma fratura profunda entre o senador Davi Alcolumbre (União-AP) e o Palácio do Planalto. A crise, deflagrada pela feroz oposição de Alcolumbre à indicação de Messias, para o STF, revela um sentimento que aliados classificam como “ódio” do parlamentar contra Lula, colocando em xeque o futuro do grupo político local, conhecido como “Turma do Atraso”.

Relatos de senadores à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, descrevem uma postura inédita de Alcolumbre. “Nunca vi o Davi com tanto ódio de alguém como está do Lula”, disse um parlamentar. Outro foi além: “Ele está possesso. Está com um ódio do Lula”. Esse sentimento se materializou em uma série de sabotagens à indicação do nome de Messias, porque Alcolumbre tentou emplacar sem sucesso seu aliado politico  Rodrigo Pacheco

De acordo com o site Diário do Centro do Mundo, as manobras do senador incluíram articular, em conjunto com o  Rodrigo Pacheco (PSD-MG), um parecer pela rejeição de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A estratégia, no entanto, fracassou diante da força da articulação do governo, liderada no Congresso pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

A Harmonia da “Turma do Atraso” em Risco

O racha entre Alcolumbre e Lula joga uma pá de cal na chamada “harmonia” da “Turma do Atraso”, a aliança local que dominou a política amapaense por anos. A pergunta que paira no ar, conforme o contexto político atual, é: “Como vai ficar a Turma do Atraso se Davi tá rachado com Lula?”.

A resposta parece estar na fragmentação. Enquanto Alcolumbre adota uma postura de confronto, figuras centrais do grupo estão profundamente integradas à estrutura do governo federal:

  • Randolfe Rodrigues é o líder do governo Lula no Congresso Nacional, cargo de altíssima confiança e estratégia.

  • Waldez Góes, ex-governador e aliado histórico de Alcolumbre, hoje é ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional.

  • Camilo Capiberibe assumiu a presidência da ANATER (Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural).

  • Clécio Luís, atual governador do Amapá, mantém-se como aliado do governo Lula, dependendo de verbas federais para gerir o estado.

Além disso, o governo federal controla as pastas e autarquias fundamentais para a execução de obras e políticas no estado, como o DNIT, o Ministério das Comunicações, a CODEVASF e o próprio ministério comandado por Waldez. Essa teia de influência e recursos deixa Alcolumbre politicamente isolado em seu próprio reduto.

Isolamento e Futuro Incerto

A guerra pessoal de Alcolumbre contra Lula, portanto, não é apenas uma disputa ideológica ou por uma vaga no Supremo. É uma batalha pela sobrevivência política no Amapá. Ao se colocar na trincheira oposta ao Planalto, o senador se desconecta de seus antigos aliados, que hoje dependem e operam dentro da máquina federal e estadual.

O episódio da indicação ao STF funcionou como um catalisador, escancarando uma ruptura que pode reconfigurar por completo o tabuleiro político amapaense. A “Turma do Atraso”, outrora unida, agora vê seus integrantes divididos entre a lealdade a Davi Alcolumbre e os benefícios concretos de estar alinhado com o governo Lula. Neste novo cenário, o senador, movido por um ódio que chama a atenção de seus pares, arrisca-se a ficar para trás, sozinho em sua guerra particular.

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