Blindagem Institucional: A “Panela” da Amprev que Dá Legitimidade às “Cagadas” de Jocildo Lemos
Por trás da crise que ameaça o patrimônio de milhares de servidores no Amapá, não há um ator solitário. A gestão do presidente da Amprev, Jocildo Lemos, é sustentada por uma arquitetura de apoio minuciosamente construída, uma verdadeira “panela” de nomes de peso que confere um selo de legitimidade a decisões questionáveis. É esta estrutura, com representantes oficiais do Governo do Estado, que explica por que o governador Clécio Luís , parece temer tanto a exoneração de Jocildo: o risco de que ele, desvencilhado do cargo, decida falar tudo o que sabe sobre os bastidores do poder.
A Arquitetura do Apoio
Uma análise da composição do Conselho Previdenciário da Amprev para o biênio 2023-2025 revela o alicerce dessa blindagem. Integram o colegiado, representando diretamente o Poder Executivo estadual, nomes como Alberto Samuel Alcolumbre Tobelem (Titular) e Jesus de Nazaré Almeida Vidal (Titular). Sozinhos, já seriam um sinal claro do aval do Palácio do Setentrião. No entanto, a lista reserva figuras que tornam o cenário ainda mais revelador.
O Suplente de Peso e seu Passado Controverso
Destaque para o suplente Roninaldo da Silva Gonçalves. Longe de ser um técnico isento, Gonçalves é um operador político de alto calibre: tio da esposa do senador Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP), um dos principais articuladores políticos do estado. A nomeação insere um componente de influência familiar e partidária no coração do conselho fiscalizador.
Mas o histórico de Gonçalves levanta questões ainda mais sérias. Ele foi diretor-presidente do DETRAN/AP, onde sua gestão terminou de forma abrupta: tornou-se alvo de uma operação do Ministério Público e foi exonerado do cargo. Apesar dessa trajetória marcada por investigações e uma saída forçada, ele foi realocado como fiscal de primeira hora do patrimônio previdenciário dos servidores. Um claro sinal de que, para esta estrutura, o passado institucional é irrelevante perante as lealdades políticas.
A Responsabilidade é Coletiva e a Blindagem, Eficaz
Esta composição do Conselho e de Grupos de Trabalho, como o que avaliou o polêmico caso Master, demonstra que isolar a responsabilidade na figura de Jocildo Lemos é uma narrativa ingênua. A portaria oficializa que:
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Decisões críticas passaram por instâncias colegiadas, ou seja, foram discutidas e, presumivelmente, aprovadas por este grupo.
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Agentes com forte lastro político e institucional participaram ativamente do processo que levou ao prejuízo milionário.
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O Poder Executivo estadual, através de seus representantes oficiais, manteve assento e, portanto, ingerência direta sobre as ações da autarquia.
A pergunta que não quer calar é: se houve falha grave, negligência na análise de risco ou opção por um investimento temerário, a responsabilidade não é, em última instância, compartilhada por todo este conselho que deveria agir como fiador dos recursos? São esses e outros mais que fazem parte da “panela” da Amprev e que dão legitimidade às “cagadas” de Jocildo Lemos.
É este o cálculo político que paralisa o governador. Exonerar Jocildo é abrir a porteira para um desabafo que pode atingir não apenas figuras próximas ao senador Alcolumbre, mas a própria cúpula do seu governo. A teia de interesses é tão densa que a manutenção de um gestor em crise torna-se a opção mais segura para todos os envolvidos – exceto, é claro, para o servidor que vê seu futuro se esvair. O medo de Clécio não é de Jocildo, mas da verdade que ele pode carregar consigo.