Facções criminosas atuam em 62% dos municípios do Amapá, aponta estudo do FBSP
Dados revelam que a presença de grupos organizados, antes um fenômeno majoritariamente urbano, já se estende para a maioria das cidades do estado, incluindo pequenos municípios do interior.
Um estudo inédito do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mapeou a presença de facções criminosas em todo o país e revelou uma situação alarmante para o Amapá: 62% dos municípios do estado têm atuação documentada de grupos criminosos. O dado coloca o Amapá como uma das unidades da federação com maior percentual de cidades sob influência dessas organizações.
O levantamento, intitulado “Mapa das Facções”, utilizou dados oficiais das polícias e do sistema de justiça criminal, complementados por notícias da imprensa, para traçar a radiografia da expansão do crime organizado. O mapa interativo, disponível no site do FBSP, permite visualizar a penetração de grupos como o Comando Vermelho (CV) e a Familía do Norte (FDN) em praticamente todas as regiões do estado.
A capital, Macapá, é o principal epicentro da atuação dessas facções, que disputam o controle de rotas de drogas, o domínio de pontos de venda e a influência sobre outras atividades ilícitas. No entanto, a pesquisa evidencia que o problema não está mais restrito à metrópole. Municípios como Santana, Laranjal do Jari, Oiapoque e Mazagão estão entre os que aparecem no mapa como territórios com presença criminosa consolidada.
Expansão para o interior e impactos sociais
A expansão das facções para o interior é um dos pontos de maior preocupação apontado por especialistas. Em cidades menores, a estrutura estatal é menos presente, o que facilita a infiltração e a coação por parte dos criminosos. A população dessas localidades sofre com o aumento da violência, a intimidação e a corrosão do tecido social.
A rota internacional de drogas que passa pelo Oiapoque, fronteira com a Guiana Francesa, é um dos fatores que explica a forte atuação das facções na região norte do estado, tornando-a um ponto estratégico para o narcotráfico.
Contexto Nacional
O cenário no Amapá reflete uma tendência nacional. O estudo do FBSP mostrou que, em 2022, as facções criminosas estavam presentes em 59,3% dos municípios brasileiros, um salto significativo em comparação com anos anteriores. A pesquisa destaca que o crime organizado se tornou um problema nacional, atingindo desde grandes centros urbanos até pequenas cidades do interior, com diferentes graus de atuação e domínio.
A divulgação desses dados reforça a necessidade de políticas públicas de segurança integradas, que atuem não apenas na repressão, mas também no enfrentamento às causas sociais e econômicas que facilitam o recrutamento e a expansão desses grupos pelo território brasileiro.