URGENTE | O discurso do “manejo sustentável e geração de emprego” começa a ruir no Amapá.

Ação Civil Pública nº 1008186-65.2025.4.01.3100

Investigações do MPF, MMA e IBAMA desmascaram irregularidades em planos de manejo florestal, inclusive em áreas apoiadas por lideranças políticas do Estado

O discurso do “manejo sustentável e geração de emprego” começa a ruir no Amapá.

Enquanto o governo estadual e aliados políticos posavam para fotos comemorando a entrega de licenças ambientais, os órgãos de controle ambiental e o Ministério Público Federal vêm desvendando um esquema de irregularidades e fraudes em planos de manejo florestal.

Recentemente, o governador Clécio Luís, ao lado do senador Davi Alcolumbre e da presidente da Assembleia Legislativa, Alliny Serrão, celebrou a entrega de licença ambiental à empresa Agregue Indústria e Comércio de Transporte de Madeira, em Laranjal do Jari, com a promessa de geração de 500 empregos diretos e desenvolvimento sustentável no Vale do Jari.

Dias depois, o castelo de discursos desabou.

Um relatório do IBAMA revelou indícios de fraudes graves no plano de manejo da própria empresa, que teria inserido informações falsas em sistemas federais, criando créditos fictícios de madeira para mascarar a exploração ilegal na região sul do Estado.

As investigações conduzidas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), MPF e MP-AP apontam que o esquema pode ter movimentado milhões de reais em créditos falsos e mascarado o corte ilegal de árvores sob a fachada de sustentabilidade.

“O Amapá virou um laboratório de manejo virtual: créditos de madeira que existem só no sistema, enquanto a floresta real vai desaparecendo”, ironiza um servidor federal ouvido sob reserva.

Irregularidades também em Mazagão e as suspeitas não param por aí.

A pedido do MPF, a Justiça Federal determinou a revisão urgente do plano de manejo florestal no Assentamento Agroextrativista Maracá, em Mazagão.

A decisão veio após a constatação de falhas graves no licenciamento e na consulta às comunidades locais, além de indícios de exploração além do permitido — mais um caso que coloca em xeque a credibilidade dos processos de licenciamento no Estado.

Esses episódios expõem um padrão preocupante: licenças liberadas com velocidade política, mas sem segurança técnica ou controle social.

Sustentabilidade ou fachada?

Enquanto o governo exibe certificados e promessas, os órgãos de fiscalização revelam o outro lado da moeda: planos de manejo sendo usados como fachada para exploração ilegal e favorecimento de grupos empresariais, em detrimento das comunidades tradicionais que vivem da floresta e dela tiram seu sustento.

O que era anunciado como um marco do progresso verde agora se transforma em um escândalo que atinge o coração da política ambiental do Amapá — e coloca nomes de peso sob suspeita.

Quem lucra com o verde?

Na Região do Maraca, em Mazagão (ATEXMA e ECO FORTE BIOENERGIA) e Laranjal do Jari (AGREGUE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE TRANSPORTE DE MADEIRA)

O povo do Amapá quer saber: quem está de fato defendendo o desenvolvimento sustentável e quem está lucrando com a destruição travestida de progresso?

Enquanto a floresta sangra, seguem os discursos, as fotos e as promessas, mas a verdade, como a madeira extraída ilegalmente, sempre vem à tona.

Bambam News

Jornalismo independente, crítico e sem filtro.

 

https://www.mpf.mp.br/ap/sala-de-imprensa/noticias-ap/a-pedido-do-mpf-justica-determina-revisao-de-manejo-florestal-no-assentamento-agroextrativista-maraca-em-mazagao-ap

Postagens relacionadas

Pedro Dacool Proíbe Fotos e videos em UBS e UPAs: Transparência em Xeque na Saúde Pública

Denúncia pede cassação de vereador Pedro Mafra e aponta uso do Amapá Jovem para fins políticos em Mazagão

Gestão fraca expõe Pedro Dacool mesmo cercado por Clécio, Waldez e Alcolumbre