Máfia do Turismo no AP: Governo e ONG em conluio milionário deixam rastro de calotes

Uma denúncia formal feita pelo deputado R. Nelson expõe um suposto esquema de desvio de recursos públicos no Governo do Amapá. Documentos obtidos pela reportagem revelam que a Secretaria de Estado do Turismo (SETUR) celebrou dois Termos de Fomento, sem qualquer chamamento público, com o Instituto Baluarte da Amazônia (IBA), no valor total de R$ 5.796.800,00.

Os repasses, destinados aos projetos “Festival do Abacaxi” e “XX Festival do Cupuaçu (Festçu)”, foram realizados de forma direta, burlando a obrigatoriedade de licitação para garantir a escolha da entidade com base em critérios de isonomia e transparência. Até o momento, já foram transferidos R$ 4.296.800,00 aos cofres do Instituto Baluarte.

No entanto, o que era para ser uma celebração da cultura e da economia local transformou-se em um rastro de inadimplência. De acordo com a denúncia, prestadores de serviços, artistas e trabalhadores que atuaram diretamente na execução dos festivais ainda não receberam pelos serviços prestados. A situação levanta sérias questões sobre a aplicação final do dinheiro público, que, em tese, já deveria ter sido utilizado para quitar essas despesas.

“É inaceitável que o governo contrate uma entidade sem licitação, repasse milhões, e no final, quem põe a mão na massa e garante a realização do evento seja quem fica no prejuízo. O dinheiro sumiu? Para onde foi?”, questiona o deputado R. Nelson.

Diante da gravidade dos fatos, o parlamentar anunciou que está encaminhando um ofício formal à SETUR exigindo explicações urgentes. A solicitação de informações pede que a secretaria esclareça os motivos que justificaram a dispensa de licitação, os critérios para a escolha do IBA e, principalmente, as razões do atraso nos pagamentos aos trabalhadores. A secretaria também terá que informar quais providências serão adotadas para regularizar a situação dos credores.

O Silêncio Oficial

A reportagem tentou contato com a Secretaria de Estado do Turismo do Amapá para se manifestar sobre a denúncia, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O Instituto Baluarte da Amazônia (IBA) também não se pronunciou sobre os repasses recebidos e a alegação de que os prestadores de serviços não foram pagos.

A situação coloca em xeque os controles internos do Governo do Estado sobre contratos de fomento e a real destinação de verbas públicas destinadas a eventos, enquanto a população espera por respostas e os trabalhadores, pelo suado pagamento.

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