Uma denúncia explosiva agita os bastidores da segurança pública do Amapá. Informações obtidas pelo Bambam News revelam um suposto esquema de “fabricação de elogios” dentro da Polícia Militar, com o objetivo de beneficiar aliados próximos ao governo e garantir promoções aceleradas no Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
De acordo com fontes ligadas à corporação, o atual comandante do GSI, coronel Daniel, não possuía a pontuação necessária para ingressar no quadro de acesso que dá direito à patente de coronel. Para contornar o problema, ele teria sido agraciado com 23 elogios oficiais em apenas um ano, concedidos pelo governador e pelo comandante-geral da PM. O gesto, considerado fora dos padrões internos, teria alçado Daniel à pontuação mínima exigida para o cargo.
A prática, segundo militares indignados, não parou por aí. Outros oficiais do GSI também teriam sido beneficiados de forma semelhante. O tenente-coronel Freires, por exemplo, já acumula 23 elogios apenas na atual gestão, enquanto a capitã Marciely — esposa do coronel Daniel — recebeu 22 elogios no mesmo período. Ambos aguardam as próximas promoções e, com esse “reforço artificial” na pontuação, devem ultrapassar dezenas de colegas que possuem o mesmo tempo de serviço, mas não contam com o mesmo prestígio político.
A revolta é grande dentro da tropa. Muitos militares relatam que esperam anos por um único elogio para conseguir meio ponto e subir um degrau na carreira. Já os apadrinhados do GSI teriam recebido condecorações em série, num intervalo de meses.
“É um desrespeito com quem serve há décadas e nunca teve o mesmo reconhecimento. Isso destrói o mérito e mancha o nome da corporação”, afirmou, sob anonimato, um oficial da reserva ouvido pela reportagem.
Os números impressionam: se confirmadas as promoções, Freires passará na frente de 23 policiais, e a capitã Marciely deixará 39 colegas para trás, mesmo tendo o mesmo tempo de serviço que muitos deles.
Até o momento, o governo do Estado e o comando da Polícia Militar não se pronunciaram oficialmente sobre as denúncias. A categoria pede que o caso seja apurado com rigor e que o sistema de promoções volte a respeitar critérios de mérito, e não de conveniência política.
“O que está acontecendo é uma afronta à hierarquia e à disciplina. Se for verdade, estamos diante de uma manipulação descarada das regras internas”, completou outro militar ouvido pela reportagem.
Enquanto a base clama por justiça, o silêncio no alto comando só reforça a suspeita de que a “fábrica de elogios” virou política de governo.