Crise interna na PM e interesses políticos estariam por trás da retirada do BPTRAN do bairro São Lázaro

Crise interna na PM e interesses políticos estariam por trás da retirada do BPTRAN do bairro São Lázaro

A decisão do governador de retirar o Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTRAN) do bairro São Lázaro para dar lugar à ROTAM vem gerando fortes críticas dentro e fora da Polícia Militar do Amapá. Embora o governo tente justificar a mudança como uma estratégia para “fortalecer o combate às facções criminosas”, a medida tem sido vista por muitos policiais como uma manobra política e motivada por interesses internos da corporação.

Segundo o discurso oficial, a presença da ROTAM na zona norte seria uma resposta ao avanço da criminalidade. No entanto, especialistas em segurança e fontes internas da própria PM apontam que o problema das facções é generalizado em todo o estado — com o foco maior no município de Santana, onde os confrontos por domínio de portos são frequentes e sequer existe uma base do BOPE.

Motivos reais por trás da mudança

Entre os bastidores, os motivos apontados são bem diferentes. O primeiro seria um conflito interno entre companhias do BOPE, já que a ROTAM é vista por outras unidades como um grupo que tenta se impor sobre o restante do batalhão. Por isso, há pressão para que a companhia deixe o prédio atual.

Outro ponto seria o interesse da ROTAM no prédio já reformado do BPTRAN, que possui amplo espaço e melhor estrutura física. O atual prédio da ROTAM estaria em condições precárias, com infiltrações, falta de manutenção e total ausência de dignidade para os policiais que lá trabalham.

Há também uma motivação política, já que o governador buscaria capitalizar a mudança como uma “grande entrega” à segurança pública — mesmo sem construir nada novo. “É uma tentativa de criar algo em cima do que já está pronto, apenas para aparecer como o idealizador”, comenta uma fonte ligada à corporação.

A vaidade do Comando Geral também é citada. O atual comandante teria prometido um batalhão próprio à ROTAM e, para cumprir a promessa, estaria disposto a desmantelar o BPTRAN, unidade tradicional que atua desde 1988 e tem origem na antiga Citran.

Além disso, a proximidade entre o governador e integrantes da ROTAM reforça a suspeita de favorecimento. O chefe do Executivo estadual é apontado como padrinho simbólico da companhia e teria se comprometido pessoalmente a garantir a mudança, mesmo diante das críticas.

Consequências para a população

Com o possível fim do BPTRAN no São Lázaro, os efeitos práticos podem ser sentidos diretamente nas ruas de Macapá. A cidade, que já sofre com um trânsito caótico e altos índices de acidentes, tende a enfrentar ainda mais desorganização sem uma unidade especializada em fiscalização e atendimento às ocorrências de trânsito.

“Quem perde é o cidadão. O BPTRAN é essencial para a segurança viária e a prevenção de acidentes. Desmontar o batalhão é um retrocesso”, avalia um policial que pediu anonimato.

Enquanto o governo tenta justificar a mudança como modernização e combate ao crime, a realidade mostra uma crise institucional dentro da Polícia Militar, marcada por disputas internas, vaidades e decisões políticas que colocam em risco a eficiência da segurança pública no Amapá.

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