Emenda pix : Como Alcolumbre e Randolfe enviaram R$ 3 milhões para ONG suspeita

CGU Aponta Irregularidades em Emendas Auditoria encontrou indícios de sobrepreço e falta de capacidade técnica no Instituto Inorte; obras em Macapá articuladas por Alcolumbre também são alvos

Por https://iclnoticias.com.br/na-mira-de-dino-farra-das-emendas-parlamentares/

BRASÍLIA – Um esquema de destinação de recursos públicos envolvendo os senadores Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Randolfe Rodrigues (PT-AP) foi alvo de crítica da Controladoria-Geral da União (CGU). Revelado no final do último ano pela Folha de S. Paulo, o caso gira em torno de emendas de relator conhecidas como “Pix”, no valor total de R$ 3 milhões, que beneficiaram o Instituto de Gestão em Desenvolvimento Social e Urbano (Inorte), uma ONG do Amapá que passou a ser investigada sob suspeita de sobrepreço e falta de transparência.

Os parlamentares, ambos representantes do Amapá, promoveram em suas redes sociais festivais culturais em cidades do estado realizados pela entidade. No entanto, a auditoria da CGU concluiu que o Inorte não possuía capacidade técnica para executar os serviços contratados. Os recursos, destinados pelos senadores, foram repassados inicialmente à Prefeitura de Santana (AP) e ao governo do estado, que então os repassaram ao instituto.

A escolha da ONG foi questionada pela controladoria, que apontou a falta de critérios claros para a sua seleção, levantando suspeitas sobre o destino final do dinheiro público.

Caso Paralelo Envolve Obras em Macapá

Além do caso do Inorte, o senador Davi Alcolumbre, ex-presidente do Senado e considerado um dos parlamentares mais influentes do Congresso, é citado em outra auditoria da CGU no Amapá. Desta vez, as irregularidades foram identificadas em obras na capital, Macapá, financiadas com verbas articuladas pelo parlamentar.

O relatório da controladoria apontou uma série de problemas, incluindo pagamento por serviços que sequer foram executados e erros no processo de licitação. A auditoria concluiu que a empresa vencedora, a Construtora Cimentos do Norte (CCN), conseguiu de forma inadequada o aval para participar da concorrência.

CCN foi criada pela ex-deputada estadual Francisca Favacho, que recentemente migrou do Pros para integrar a cúpula do MDB no Amapá. Ela é mãe do deputado federal Acácio Favacho (MDB-AP), configurando um cenário de estreitas relações políticas e empresariais no estado.

Repercussão e Investigação

Os casos evidenciam a complexidade e os riscos inerentes ao modelo de emendas parlamentares, especialmente as de execução indireta. A CGU recomendou a adoção de medidas corretivas pelos entes públicos envolvidos e a apuração de possíveis responsabilidades. A situação coloca sob escrutínio a atuação de Alcolumbre e Randolfe, que até então compunham bases de apoio distintas ao governo federal e governo de Clécio , e acende um alerta sobre o uso de recursos públicos no estado do Amapá.

Procurados, os senadores e o Instituto Inorte não se manifestaram até o fechamento desta edição. A Construtora Cimentos do Norte (CCN) também não se pronunciou sobre as irregularidades apontadas pela CGU.

Postagens relacionadas

Deputada é feita refém por 3 horas em Macapá e escancara colapso da segurança no governo Clécio

Justiça Eleitoral enterra duas tentativas de cassação e mantém Furlan e Mário Neto no cargo

Efeito turma do atraso: Justiça Eleitoral julga improcedente ação contra Furlan e Mário Neto