Obra Fantasma: Governo usa verba de manutenção para construir do zero e tenta apagar os rastros
Contrato milionário, inicialmente irregular, é entregue à mesma empresa responsável pelo pronto-socorro atrasado; placa de inauguração é removida às pressas após denúncia.
Por Jean Bambam
Uma sucessão de trapalhadas com dinheiro público marca mais um capítulo de gestão questionável no estado. Denúncias e registros fotográficos obtidos por esta reportagem revelam que o governo utilizou indevidamente uma Ata de Registro de Preços da TCI – destinada exclusivamente a manutenção preventiva e corretiva – para tentar iniciar a construção de uma nova unidade de saúde do zero.
A manobra irregular ficou evidente quando uma placa de obra foi instalada em um terreno, anunciando o início dos trabalhos em abril e a promessa de entrega para julho deste ano. Houve movimentação no local, mas, ao perceberem a ilegalidade cometida, os responsáveis agiram para apagar as evidências. A placa foi desmontada e removida às pressas, em um piscar de olhos na rodovia Norte sul, lado direito dentro do muro da INFRERO
Em vez de corrigir o rumo com transparência, a estratégia do governo foi repassar o contrato, agora de forma direta, para a mesma empresa que já está enrolada na construção de um pronto-socorro, obra que permanece atrasada e inacabada. A medida acendeu o alerta para mais um possível contrato milionário sem transparência e resultados.
Diante das imagens que comprovam a instalação e posterior remoção da placa, a expectativa é de que a versão oficial tente negar os fatos, classificando-as como “montagem”. No entanto, os registros são claros: a manobra ocorreu, e o recuo foi uma tentativa desesperada de encobrir o erro inicial.
A pergunta que permanece, enquanto o terreno continua vazio, é: onde está a unidade de saúde que deveria estar funcionando e beneficiando a população desde julho? A obra, hoje, não passa de um fantasma.