SUPOSTA Rede de Alcolumbre: concentração de poder político e econômico levanta alertas e suspeita no Amapá
A recente movimentação no Diário Oficial do Estado expôs, mais uma vez, a suposta força da rede de aliados do senador Davi Alcolumbre (União Brasil) no Amapá. Empresários, dirigentes partidários e gestores públicos aparecem interligados em contratos, cargos estratégicos e funções de confiança, formando o que já é chamado nos bastidores de uma “rede de parceria harmoniosa”.
No centro desse arranjo estariam nomes como Breno Barbosa Chaves Pinto, empresário da Construtora e Reflorestadora Rio Pedreira e da LB Construções Ltda, atual segundo suplente de Alcolumbre; e Ivanildo de Oliveira da Silva, dono da empresa I. de Oliveira da Silva Ltda, ex-tesoureiro estadual do União Brasil e beneficiado recentemente com contratos milionários com o governo.
A estrutura também supostamente envolveria Jocildo Silva Lemos, presidente da Amapá Previdência (AMPREV), dirigente da Liga Independente das Escolas de Samba (LIESAP) e atual tesoureiro do União Brasil. Já no campo contábil e institucional, aparece Lucélia Araújo Quaresma, servidora da AMPREV, empresária, suplente de vereadora e contadora do União Brasil.
Esse emaranhado de posições revela uma engrenagem que mistura política, gestão pública e negócios privados em uma teia de concentração de poder sem precedentes.
Os riscos da concentração de poder
Especialistas em administração pública apontam que quando um mesmo grupo político ocupa cargos de direção no governo, controla a estrutura partidária e mantém empresas beneficiadas por contratos públicos, surgem riscos graves:
Falta de transparência: a sobreposição de interesses políticos e empresariais pode comprometer a lisura dos processos licitatórios e contratações.
Clientelismo institucionalizado: a distribuição de cargos e contratos entre aliados fortalece um sistema de favores em detrimento da meritocracia.
Risco à democracia: com a rede concentrando poder econômico e político, há redução de espaço para a oposição e enfraquecimento do debate público.
Desigualdade de oportunidades: pequenos e médios empresários ficam em desvantagem diante de empresas ligadas a políticos influentes.
Um projeto de poder de longo prazo
O que se vê é a consolidação de um projeto que extrapola a atuação parlamentar de Alcolumbre em Brasília: trata-se de um sistema articulado de sustentação no Amapá, que garante não apenas votos e influência política, mas também controle sobre contratos e recursos públicos.
Enquanto aliados circulam entre gabinetes, conselhos, diretorias e empresas contratadas pelo Estado, a população amapaense corre o risco de ver a máquina pública se transformar em instrumento de manutenção de poder de um único grupo.