Por Jean Bambam, para o Portal Bambam News
A Polícia Federal (PF) descobriu que o empresário Breno Chaves, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP), mantinha um informante infiltrado dentro da superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no Amapá (DNIT/AP) para comandar um esquema de desvio de recursos públicos. A informação é parte das investigações da Operação Route 156, deflagrada em 22 de julho, que apura fraudes em contratos de manutenção da BR-156.
De acordo com a PF, Chaves, dono de empresas que venceram licitações do órgão, indicou pessoalmente Elenice Fernandes para um cargo no DNIT/AP, sem qualquer processo seletivo. Uma vez dentro da autarquia, ela teria se tornado os “olhos e ouvidos” do empresário, comportando-se como uma “informante interna”.
Rede de Informações Privilegiadas
A investigação, baseada em mensagens e um áudio apreendidos, detalha a atuação de Elenice. As trocas de mensagens mostram uma “proximidade pessoal” com Breno Chaves, a quem ela se referia pelo codinome “piloto” – uma alusão clara, para os investigadores, de quem realmente conduzia as operações dentro do órgão público.
O áudio, com 16 minutos de duração, é considerado pela PF uma peça-chave. Nele, a funcionária não apenas confirma a influência de Chaves como a detalha. “O Breno manda aqui no DNIT”, afirma Elenice, acrescentando que o próprio superintendente do órgão no estado, Marcello, seria uma “indicação dele”. A gravação também capturou a funcionária descrevendo como escondia um dispositivo de escuta em um carro, sugerendo um alto nível de espionagem interna.
O Esquema e as Defesas
A Operação Route 156 investiga um suposto esquema criminoso de direcionamento de licitações e desvio de recursos federais destinados à recuperação da principal rodovia do Amapá. Breno Chaves é apontado como um dos operadores centrais.
Procurada, a defesa de Breno Chaves emitiu nota afirmando que o processo “tramita sob segredo de justiça, razão por que as manifestações da defesa ocorrem exclusivamente nos autos”. O empresário “reafirma sua inocência e tranquilidade” e se pronunciará à imprensa “no momento oportuno”.
A assessoria do senador Davi Alcolumbre foi enfática ao se distanciar do caso, declarando que o parlamentar “não possui qualquer relação com as empresas citadas na operação, nem com a atuação empresarial do seu segundo suplente”. O DNIT, também em nota, disse repudiar “qualquer prática fraudulenta” e afirmou estar colaborando com a investigação e apurando os fatos internamente para tomar as “medidas administrativas necessárias”.
A situação expõe uma fragilidade na administração pública e levanta questões sobre a influência de indicados políticos em cargos chave de autarquias federais, com acesso a informações sensíveis e contratos milionários.