A construção do novo Hospital de Emergência de Macapá, tocada pelo consórcio formado pelas empresas Amapá e TCI, está longe de representar progresso para o Amapá. Nos bastidores da obra — que deveria simbolizar um avanço na saúde pública , emergem denúncias graves de violações de direitos trabalhistas, desorganização e abandono.
Mais de 40 trabalhadores já foram demitidos, e as denúncias vão muito além de simples atrasos. Ex-funcionários relatam que, apesar de o FGTS estar sendo recolhido, ele não está sendo depositado nas contas vinculadas, caracterizando possível apropriação indébita por parte das empresas.
A situação se agrava com baixas sendo registradas nas carteiras de trabalho sem a realização do exame demissional, o que fere diretamente as normas de segurança e medicina do trabalho. A irregularidade escancara a negligência com a saúde e dignidade dos operários.
“Tem gente que saiu da obra há mais de seis meses e até hoje não viu um centavo dos seus direitos trabalhistas”, denuncia um trabalhador lesado. “Outros estão recebendo valores parcelados, como se fossem prestadores de serviço e não empregados com carteira assinada.”
Segundo denúncias, o consórcio estaria adotando um mecanismo perverso: contratam 30 e demitem 40, gerando um “efeito estatístico” que pode iludir os sistemas de controle como se houvesse geração de empregos, quando na realidade há rotatividade, exploração e sofrimento.
Para completar o cenário caótico, os próprios funcionários afirmam que a obra passa meses quase parada por falta de material, o que levanta questionamentos sobre o planejamento, o financiamento e até mesmo a viabilidade de entrega do hospital dentro do prazo previsto.
Quando os trabalhadores procuram seus direitos, ouvem da direção das empresas a mesma resposta: “procurem a Justiça do Trabalho.” É o retrato de um consórcio que se esquiva da responsabilidade social e trabalhista, e de um governo que, até agora, permanece em silêncio.
A equipe do Bambam News procurará os representantes do consórcio e também o Governo do Estado para cobrar explicações. O que está em jogo não é apenas a conclusão de uma obra pública, mas a dignidade de dezenas de famílias que dependem do trabalho honesto para sobreviver.
Se não há dinheiro nem para pagar o trabalhador, como pode haver dinheiro para concluir a obra?