Ministra Marina Silva rebate críticas e defende criação de unidade de conservação na Margem Equatorial
Em audiência na comissão do Senado, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, explicou os motivos por trás da proposta de criação de uma unidade de conservação marinha no litoral norte do país, região conhecida como Margem Equatorial – área onde a Petrobras pretende prospectar petróleo. A discussão, segundo ela, não é recente e não foi criada para impedir a exploração de combustíveis fósseis.
“A unidade de conservação não incide sobre os blocos de petróleo. E não foi inventada agora para inviabilizar a Margem Equatorial. Isso é um processo que vem desde 2005”, afirmou Marina, apresentando um histórico do debate aos parlamentares.
Ibama sob pressão na Foz do Amazonas
A ministra também destacou os desafios enfrentados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) na análise dos pedidos de prospecção de petróleo na Foz do Amazonas, região ambientalmente sensível.
“Vai ter o leilão de cerca de 47 áreas exploratórias. O que está em questão agora é a prospecção, não a exploração. Mas é algo tão complexo, em torno de 5 mil metros de profundidade, que o Ibama tem ‘queimado todas as sobrancelhas’, porque essa é uma frente nova em uma região muito delicada”, disse.
Recentemente, o Ibama aprovou a estrutura de resgate à fauna construída pela Petrobras em Oiapoque (AP), liberando um teste de perfuração – etapa crucial antes da decisão final sobre a licença exploratória. O tema tem gerado tensão dentro do governo, com divergências entre Marina Silva e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Pressão política e divisão no governo
A autorização para exploração de petróleo na região divide o governo Lula e é alvo de pressão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Desde o início da gestão, Marina Silva tem sido alvo de críticas de parte do Congresso, com senadores levando suas cobranças diretamente ao presidente Lula em um jantar no começo de abril.
Agora, a ministra busca reforçar que a proposta de conservação não conflita com os blocos de petróleo, mas ressalta a necessidade de cautela em áreas de alto risco ambiental. O impasse deve continuar à medida que o governo busca equilibrar desenvolvimento econômico e preservação.