Agora não é mais bastidor, não é mais “disse me disse” é documento oficial. O Governo do Estado do Amapá confirmou, por meio de ofício encaminhado ao SINSEPEAP, que o reajuste para os profissionais da educação em 2026 será de apenas 5,4% .
E o que antes já gerava revolta, agora ganha contornos ainda mais graves: a categoria descobre que o roteiro já estava pronto e assinado.
No papel, o governo tenta vender a narrativa de valorização, citando reajustes acumulados e ganho real nos últimos anos. Mas, na prática, o que chega para 2026 é um índice considerado insuficiente por grande parte dos servidores, principalmente diante da pressão inflacionária e das demandas represadas da categoria.
O documento detalha que o reajuste será aplicado a partir de abril, elevando o vencimento inicial para cerca de R$ 6.957,43 . Ainda assim, o anúncio caiu como combustível em um cenário já inflamado e não como solução.
Nos bastidores, o clima é de indignação e desconfiança. A revelação do ofício reforça a percepção entre servidores de que a diretoria do SINSEPEAP já tinha conhecimento prévio da proposta, alimentando críticas de que a negociação teria sido mais formalidade do que enfrentamento real.
A assembleia convocada para esta tarde ganha, agora, peso de decisão histórica. O indicativo de greve ou paralisação deixa de ser apenas possibilidade e passa a ser tratado como reação direta a um pacote já definido pelo governo.
E não para por aí. Cresce entre os profissionais da educação o discurso de que a atual direção sindical não representa mais a base, com acusações de alinhamento político e submissão ao Executivo. A frase que circula nos grupos é pesada e simbólica: “estão no bolso do governo”.
Diante desse cenário, já há articulação para um movimento paralelo, independente do sindicato, caso a assembleia não reflita o sentimento majoritário da categoria.
O que se desenha no Amapá é mais do que um impasse salarial. É uma crise de confiança:
servidores contra o governo
servidores contra o sindicato
e um sistema inteiro sendo colocado em xeque
Se a resposta vier nas ruas, com paralisação ou greve, não será surpresa será consequência direta de um processo que, ao que tudo indica, já chegou pronto antes mesmo de começar.