Clécio tirou R$ 2,8 milhões da educação para a ABRASEL realizar o 2º Festival Equinócio da Primavera 2025.

O que começou como um remanejamento técnico no papel está se consolidando como um dos episódios mais emblemáticos de prioridades invertidas na atual gestão estadual.

Documentos oficiais revelam que o Governo do Amapá retirou mais de R$ 2,8 milhões da educação, especificamente da Universidade do Estado do Amapá (UEAP), e redirecionou os recursos para ações da Secretaria de Estado do Turismo.

Os valores aparecem em dois momentos distintos:

  • R$ 875.605,00

  • R$ 1.950.000,00

E é justamente esse segundo montante que ajuda a explicar o destino final do dinheiro.

De acordo com empenho oficial nº 2025NE00311, emitido em 18 de setembro de 2025, o valor de R$ 1.950.000,00 foi destinado à ABRASEL (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) para custear o:

2º Festival Equinócio da Primavera 2025

O repasse ocorre por meio do Contrato de Patrocínio nº 001/2025, vinculado ao processo administrativo nº 0046.0584.2228.0004/2025 – GAB/SETUR, dentro de um edital de chamamento público para ações de fomento e patrocínio.

Ou seja:
o dinheiro que saiu da educação ajudou diretamente a bancar um evento.

E é aqui que a crítica ganha corpo.

O deputado estadual R. Nelson denunciou a operação e classificou o movimento como um claro deslocamento de prioridade, questionando a lógica de gestão adotada pelo governo.

“Não sou contra evento. Mas não se tira da educação para isso.”

A fala resume o incômodo que cresce nos bastidores políticos e também entre setores da sociedade.

Porque enquanto milhões são liberados para festivais e ações turísticas, a realidade da educação superior no estado segue marcada por desafios antigos: falta de investimento estrutural, necessidade de modernização e limitações orçamentárias.

E no centro dessa decisão está um detalhe que pesa ainda mais:
o governador Clécio Luís tem origem política e trajetória ligada à educação.

Mesmo assim, os decretos mostram que, na prática, o recurso saiu justamente de onde não deveria faltar.

Legalmente, o remanejamento é permitido dentro das regras orçamentárias.

Mas politicamente, a decisão expõe uma escolha clara de governo:

👉 entre fortalecer a educação ou investir em evento, a prioridade foi o palco.

Diante da repercussão, o deputado anunciou que pretende apresentar um projeto de lei para proibir esse tipo de remanejamento, blindando os recursos da educação contra transferências para outras áreas.

Porque no fim das contas, o debate não é jurídico.

É moral.
É político.
E principalmente, é sobre prioridade.

E no Amapá de hoje, os números falam por si.

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