A decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou o prefeito de Macapá, Dr. Furlan, acabou arrastando junto o vice-prefeito Mário Rocha de Matos Neto, o Mário Neto. Até aí seria apenas mais um capítulo de uma investigação pesada envolvendo milhões de reais em emendas federais.
O problema é outro: o nome do vice-prefeito não aparece no relatório da Polícia Federal ligado a saque suspeito, transferência bancária ou movimentação financeira investigada.
Mesmo assim, ele foi afastado.
A decisão partiu do ministro Flávio Dino, no âmbito da investigação que apura possíveis irregularidades na aplicação de R$ 128 milhões em emendas parlamentares enviadas a Macapá entre 2020 e 2024.
No centro do furacão está a licitação da construção do Hospital Geral de Macapá, obra de aproximadamente R$ 69 milhões, vencida pela empresa Santa Rita Engenharia Ltda.
Segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), existem indícios de fraude na licitação, possível direcionamento do contrato e movimentações financeiras suspeitas após os pagamentos realizados pelo município.
Mas aí surge a pergunta que começa a circular nos bastidores da política amapaense:
onde entra Mário Neto nessa história?
Um afastamento sem rastro de dinheiro
O relatório policial descreve saques milionários, movimentações em dinheiro vivo, suspeitas de repasses e até transporte de valores em mochilas.
Mas não há descrição de saque, transferência ou pagamento suspeito envolvendo diretamente o vice-prefeito.
Nenhum.
Mesmo assim, o Ministério Público Federal pediu o afastamento de Mário Neto.
A justificativa não foi a existência de prova direta.
Foi outra.
Segundo o parecer da Procuradoria-Geral da República, o vice-prefeito deveria ser afastado porque integra o “vértice da estrutura decisória do Poder Executivo municipal”.
Traduzindo para o português claro:
Ele foi incluído na decisão por ocupar um cargo de comando na prefeitura, não por aparecer em movimentações financeiras investigadas.
A decisão do STF
Ao analisar o caso, o ministro Flávio Dino decidiu afastar cautelarmente:
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o prefeito Dr. Furlan
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o vice-prefeito Mário Neto
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a secretária de saúde Érica Aranha
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o presidente da comissão de licitação Walmiglisson Ribeiro
Todos foram afastados por 60 dias e ficaram proibidos de acessar a prefeitura, sistemas administrativos e estruturas da gestão municipal.
O argumento foi o risco de interferência nas investigações.
Uma investigação que ainda está no começo
Apesar da repercussão política gigantesca, a própria decisão do STF deixa claro que a investigação ainda está em fase de coleta de provas.
Entre as medidas autorizadas estão:
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quebra de sigilo bancário
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buscas e apreensões
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análise detalhada de movimentações financeiras
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investigação sobre o destino de recursos públicos
Ou seja: o processo ainda está em fase de apuração.
O ponto que incomoda
Nos bastidores políticos de Macapá, o que mais chama atenção é justamente o fato de que o vice-prefeito não aparece no relatório policial ligado ao dinheiro investigado.
Nenhum saque.
Nenhuma transferência.
Nenhum pagamento identificado.
Mesmo assim, acabou afastado junto com a cúpula da prefeitura.
Para aliados de Mário Neto, o vice-prefeito teria sido atingido como efeito colateral da crise política, já que ocupa posição institucional dentro da gestão municipal.
A guerra agora é política e jurídica
O afastamento abriu uma nova frente de batalha na política de Macapá.
De um lado, investigadores tentando esclarecer o destino de milhões de reais.
Do outro, um debate cada vez mais forte nos bastidores:
Mário Neto foi afastado por provas ou por posição política dentro da gestão?
A resposta definitiva só deve aparecer quando a investigação avançar e os dados bancários, quebras de sigilo e documentos apreendidos forem analisados.
Até lá, a capital do Amapá segue no meio de um terremoto político onde dinheiro público, poder e disputa política se misturam no mesmo processo.