DINHEIRO VIVO NA MOCHILA
PF flagra suplente de Alcolumbre sacando R$ 350 mil enquanto investigação apura esquema de até R$ 60 milhões no DNIT
Uma cena digna de filme policial acabou registrada pela Polícia Federal no Amapá: o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre, foi flagrado saindo de uma agência bancária com R$ 350 mil em dinheiro vivo dentro de uma mochila. O detalhe é que o episódio aconteceu em pleno andamento de uma investigação sobre suspeitas de fraude em contratos do DNIT.
Segundo relatórios da PF, o saque não foi um caso isolado. As movimentações financeiras analisadas apontam retiradas que ultrapassam R$ 3 milhões em espécie, sempre ocorrendo logo depois de pagamentos provenientes de contratos públicos ligados ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no Amapá. Para os investigadores, o padrão levanta fortes indícios de lavagem de dinheiro.
A suspeita é que empresas ligadas ao suplente estariam no centro de um esquema que pode ter direcionado licitações e manipulado concorrências no DNIT, envolvendo contratos que somam cerca de R$ 60 milhões, muitos deles relacionados a obras e manutenção da BR-156, uma das rodovias mais estratégicas do estado.
De acordo com a investigação, Breno Chaves seria uma espécie de operador de bastidores, exercendo influência dentro do órgão federal e usando o peso político da sua posição como suplente para pressionar decisões administrativas — prática que, segundo a PF, pode configurar tráfico de influência.
O episódio do saque ocorreu em novembro de 2024, em Santana. Agentes da PF acompanharam toda a movimentação: o empresário chegou ao banco em uma SUV, entrou com uma mochila azul e saiu cerca de meia hora depois carregando o dinheiro. Em seguida, foi direto para a sede de uma de suas empresas.
Procurado, o empresário afirmou que o dinheiro teria sido retirado para pagamento de funcionários e despesas operacionais da empresa. Já o senador Davi Alcolumbre declarou não ter qualquer relação com a atuação empresarial do suplente e que não é investigado no caso.
Mas no meio político de Brasília e do Amapá, a pergunta que ecoa é simples — e incômoda:
desde quando contratos públicos milionários terminam em mochilas cheias de dinheiro vivo saindo pela porta do banco?
Enquanto a investigação avança, o episódio reforça uma velha suspeita que ronda obras públicas no Brasil: quando o dinheiro da estrada sai do cofre em espécie, quem paga a conta geralmente é a população que continua esperando a obra terminar.